RUY BELO – PEREGRINO E HÓSPEDE SOBRE A TERRA joaompmachado21 de Março de 202420 de Março de 2024Literatura Navegação de artigos PreviousNext (1933 – 1978) Meu único país é sempre onde estou bem é onde pago o bem com sofrimento é onde num momento tudo tenho O meu país agora são os mesmos campos verdes que no outono vi tristes e desolados e onde nem me pedem passaporte pois neles nasci e morro a cada instante que a paz não é palavra para mim O malmequer a erva o pessegueiro em flor asseguram o mínimo de dor indispensável a quem na felicidade que tivesse veria uma reforma e um insulto A vida recomeça e o sol brilha a tudo isto chamam primavera mas nada disto cabe numa só palavra abstracta quando tudo é tão concreto e vário O meu país são todos os amigos que conquisto e que perco a cada instante Os meus amigos são os mais recentes os dos demais países os que mal conheço e tenho de abandonar porque me vou embora pois eu nunca estou bem aonde estou nem mesmo estou sequer aonde estou Eu não sou muito grande nasci numa aldeia mas o país que tinha já de si pequeno fizeram-no pequeno para mim os donos das pessoas e das terras os vendilhões das almas no templo do mundo Sou donde estou e só sou português por ter em portugal olhado a luz pela primeira vez Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading...