Estamos em maré de Poesia, e sendo José Carlos Ary dos Santos um dos poetas contemplados, peguei numa velha antologia da sua Obra Poética a fim de o reler, já que tanto gosto dos seus versos. Considero-o um dos maiores poetas da nossa geração e da nossa literatura, que leio sempre sem me cansar. Poeta ligado à resistência de um Povo, ao combate, à luta pela Liberdade, a sua poesia é um grito que ecoou na boca de tanta gente e de tantos cantores do seu tempo.
A sua natureza rebelde imprimia uma força única à capacidade criativa e fazia dela uma arma a que emprestava a potente voz de declamador. A sua poesia é de uma riqueza de forma e conteúdo admiráveis, sem deixar de ser simples e entendível. As figuras de estilo, o verso normalmente curto, as frases enfáticas, a rima tão rica e tão bem encontrada fazem dela uma poesia dinâmica, de uma qualidade estética e de um tal alcance que não cansa e dá gosto ler.
Ao abrir uma vez mais a obra poética de Ary dos Santos, parei no poema Kyrie. Pensei em Gaza e não resisti a transcrevê-lo.


