CAMINHO PARA SÍTIO ALGUM-NENHUM por José de Almeida Serra

CAMINHO PARA SÍTIO ALGUM-NENHUM

 

por José de Almeida Serra

 

Para onde vamos, se é que vamos para sítio algum?

O Homem apoderou-se do Planeta e gere-o a seu bel-prazer, sem se importar com o próprio Planeta, com os outros seres vivos ou mesmo com outros humanos.

E ocupou, sobreocupou, tudo. De uns milhares de sapiens há uns milhares de anos a população mundial, segundo o Departamento do Censo dos EUA, calcula-se que tenha atingido oito mil milhões em 26 de Setembro de 2023, o que também é confirmado pelo Relatório sobre o Estado da População Mundial da ONU.

Só que este relatório enfatiza – e bem – a importância da saúde, a necessidade de sociedades prósperas e inclusivas, a igualdade de género, a existência de meios de subsistência para todos, designadamente o acesso a bens que são fundamentais no tempo que construímos (ou desconstruímos?)

A distribuição da riqueza em termos planetários, pode retirar-se de variadas fontes, podendo variar ligeiramente os números relativamente ao momento de referência tomado. Há, em qualquer caso, coerência global.

Considere-se o insuspeito Global Wealth Report 2023 (do Crédit Suisse): 1,1% dos mais ricos possuem 45,8% de toda a riqueza mundial e os 10% mais ricos possuem 81% de toda a riqueza do mundo: Enquanto isso os 52,5% mais pobres possuem apenas 1,2% de toda a riqueza.

Transcrevo de uma publicação das Nações Unidas: “hoje, mais de 780 milhões de pessoas vivem abaixo do limiar Internacional de pobreza (com menos de 1,90 dólares por dia): Mais de 11% da população mundial vive na pobreza extrema e luta para satisfazer as necessidades mais básicas na esfera da saúde, educação e acesso à água e ao saneamento…acabar com a pobreza em todas as suas formas é o primeiro dos 17 objectivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”

E afirma a OXFAM: a riqueza dos cinco maiores bilionários do mundo duplicou desde 2020, e os 1% mais ricos ficou com quase 2/3 da riqueza gerada nesse período; assim pode-se afirmar que 60% da população global diminuiu nesse mesmo período a respectiva riqueza ou, dito de outro modo, aumentou a sua pobreza.

Vale a pena destacar dois pontos deste relatório:

  1. Cada bilionário ganhou durante o Covid cercada 1,7 milhões de US dólares; enquanto 90% dos mais pobres apenas um (1) dólar;

  2. Um imposto até 5% sobre os super-ricos poderia obter 1,7 triliões de US dólares por ano o que poderia retirar 2 mil milhões de pessoas por ano da miséria.

Regressando a Davos (Paraíso do capitalismo) 2023 e à Oxfam encontramos como propostas aos governos:

  1. Taxas solidárias e únicas sobre a riqueza e lucros extraordinários, acabando “com a crise de excesso de lucros”;

  2. Aumentar permanentemente os impostos sobre a renda de capital e trabalho do 1% dos mais ricos do mundo;

  3. Taxar o próprio património dos 1% mais ricos e com isso financiar políticas públicas sociais.

Insere-se a listagem dos dezassete objectivos propostos pela ONU para diminuir o empobrecimento:

Mas pergunto: o que estamos fazendo? Para onde estamos caminhando? Que loucura colectiva tomou conta deste mundo? Porquê Auschwitz e agora a Palestina (estará Israel pretendendo absolver os nazis do holocausto)? Porquê e para quê a Crimeia? Idiotas à frente de alguns dos mais poderosos Estados do Planeta?

Porquê e para quê o terrorismo planetário? Responder a terrorismo com terrorismo?

Um louco atirou com o avião que pilotava contra os Alpes e matou todos: será que um outro louco não vai um dia carregar no botão atómico?

Pelo menos desde os gregos todo o efeito tinha de ter uma causa e, pouco a pouco, lá fomos descobrindo as causas produtoras dos efeitos e a ciência encarregou-se do tema, seu descobrimento e seu desenvolvimento. A Economia acabaria por nascer por alturas do Renascimento e foi-se desenvolvendo, em função – tal como toda a ciência –  dos conhecimentos e valores e práticas sociais. Smith, Ricardo, Marx interpretaram o mundo que encontraram que já não é o de hoje. Passámos de uma economia de aldeia para uma economia planetária e tudo terá de ser revisto e reponderado.

E também na Ciência. Quando havia um efeito para que não era conhecida causa havia sempre, por perto e ajudando-nos, Deus ou deuses. Só que a fé se esvaiu e hoje muitos não crêem nessa explicação. E “para ajudar à dificuldade” estamos perante um efeito sem causa: a criação dos universos. Será que outros Einsteins ou Hawkings encontrarão uma solução?

E EM TEMPO ÚTIL?

15 de Abril de 2024

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