A LIBERDADE E O INCENTIVO À LEITURA NAS ESCOLAS por Luísa Lobão Moniz

Até aos anos sessenta a escolaridade não era prioritária em Portugal. A ditadura tinha medo que a capacidade crítica dos portugueses se desenvolvesse e que estes começassem a querer participar na vida social.

A Leitura é uma arma contra o medo de lutar por sociedades mais justas. O obscurantismo é reprimir o direito ao conhecimento, à participação cívica dos cidadãos, à inclusão.

Em 1974, a taxa de analfabetismo em Portugal era a maior da Europa. Só em 1964 é que a Ditadura começou a fazer reformas no ensino para baixar a taxa de analfabetismo, a escolaridade obrigatória passou de 4 para 6 anos. 

Em 1974 havia 58 605 alunos no ensino universitário, em 2021 havia 411 995 (dados do INE).

Depois de 1974 a Educação passou a ser prioritária sendo agora obrigatória até ao 12º ano. Não só os jovens andam mais tempo na escola, como podem ter mais ambição para melhorar as suas vidas relativamente à dos seus pais. Hoje temos uma geração de jovens melhor preparada do que nunca. O número de licenciaturas, mestrados, doutoramentos, investigadores é visivelmente maior.

Quando se fala em elevador social há sempre quem considere que ele não existe, mas sim existe, basta consultar os estudos do INE.

Por todo o Portugal se foi dando mais importância à aquisição de conhecimentos como ascensão social, como ao prazer que podemos ter quando se lê um livro, quando se escreve…

As Bibliotecas Públicas e Escolares convidam escritores para falarem sobre livros e sobre a importância de se saber ler, interpretar, de conhecer novos mundos…

O 25 de Abril e a Liberdade mudaram a organização das escolas, estas começaram a frequentar a biblioteca local para colaborarem em projetos sócio educativos ligados às artes e à leitura.

Passados 50 anos de Democracia e de Liberdade é possível as Bibliotecas Públicas e a rede de Bibliotecas Escolares promoverem encontros e concursos de leitura como ‘Escrita Literária sobre o 25 de Abril e a Liberdade’.

Este ano, a Comunidade Intermunicipal do Cávado realizou a primeira edição do Concurso Intermunicipal de Leitura do Cávado que envolveu autarquias e escolas do Cávado, assim como a Direção-geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB).

Esta iniciativa realizou-se no dia 8 de Maio, no auditório do Fórum Braga, numa ação que mobilizou 96 alunos, do Primeiro Ciclo ao Ensino Secundário dos estabelecimentos de ensino da rede pública dos seis municípios que compõem a CIM Cávado, sobre o tema ‘Escrita Literária sobre o 25 de Abril e a Liberdade’, este concurso, de leitura nas escolas, visou constituir-se como oportunidade de estimular, nas crianças e jovens, hábitos de leitura, não esquecendo as suas competências de expressão escrita e oral.

Os alunos não só leram e refletiram sobre os livros selecionados como fizeram uma prova escrita sobre o livro e, no final, escolheram um excerto que leram com expressão e fundamentaram a sua escolha relacionando-a com o 25 de Abril e a Liberdade.

Os livros escolhidos foram:

 “O tesouro”, de Manuel António Pina, para o 1.º ciclo;  

“A Escola e os Cravos”, de Luísa Lobão Moniz, para o 2.º ciclo;

“Vinte e Zinco”, de Mia Couto para o 3.º ciclo;

 “À Procura da Manhã Clara”, de Ana Cristina Silva, para o Ensino Secundário               

A Escola e as Bibliotecas não deixarão murchar os Cravos de Abril.

 

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