EVA CRUZ – A VIAGEM NESTE LIVRO

 

Na luz do sol, na paz do luar, no hálito do vento, na sede da chuva e no sabor da neve, voo com os pássaros lá no ar ou rente ao chão, ao encontro do rio, entre o frio do inverno e o calor do estio.

Canta em meu redor a água da mina, pintam meus olhos as cores da serra, berço de rios e riachos, levados bem longe até às águas do mar.

A minha Serra vestida de rosa e amarelo, branca de neve, dourada de sol, prateada de luar, fulminada de relâmpagos e praguejada de trovoada.

Corro os campos e os montes pelas mãos do tempo, embalada pelos cheiros e pela música de criança e repouso no ventre da natureza ao sabor do natural ciclo da vida.

Levo em seguida os olhos mais longe até à beira do mar.

Descanso serenamente na ria e abro as asas do pensamento na rósea cor dos flamingos, misturando o cheiro da maresia com a fantasia de abandonar o sofrimento nos braços da alegria.

Olho o céu e dou, curiosa, a volta aos sapais do mundo, tentando adivinhar à flor da terra aquilo que escondem lá no fundo.

E fico triste, muito triste com tantas sombras que escurecem o mundo.

Regresso ao rio, volto à serra, trago comigo o mar e a cidade, e dentro dela o amor e a amizade, as ruas cheias de ilusão, tristeza e alegria… e sonhos de liberdade.

E é na Trova do Vento que Passa, por entre as vozes de Adriano e Zeca Afonso, que eu canto Abril e Maio no cantar da água…chorando de saudade.

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