As sílabas marginais/A VONTADE/de Nelson Ferraz

 

A VONTADE

 

A vontade entrincheirou-se no poente

E tudo vai ser diferente

A partir deste verso.

O homem desinventou a mensagem

Mas não abranda nunca a sua foice.

Por isso, os cadernos e as serras

Vão ser sempre uma viagem

Onde o vento vai ser notícia.

E no coração rebelde e submerso

Do papel e dos livros

Vai nascer, um dia destes, a inquietude

De quem não desiste das perguntas.

Porque a vontade é um falcão

Uma semente de manhã.

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In “As Palavras Côncavas”, Editora Ausência, 2003.

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