DIOGO MARTINS – FAUSTO (1948 – 2024)

 

 

Chegou-nos a notícia da morte de Fausto Bordalo Dias, aos 75 anos. Um dos maiores talentos da música popular portuguesa, era, para a comunidade política e afetiva da esquerda em que me incluo, muito mais do que isso. Era também a manifestação corpórea, viva, de um tempo e de um compromisso. Não dos que se reclamam heróis, mas do que colocam o melhor da sua arte ao serviço de causas. E que, nessa entrega, conseguem emprestar o sublime à substância, mostrando que a mais ardente das causas não tem de prescindir da metáfora nem do belo para ser defendida.

É mais uma perda, numa hemorragia lenta, mas letal, das testemunhas vivas de um tempo. Como cantava outro cantautor, há o sentimento de que“Este parte, aquele parte e todos, todos se vão”.

Importa estar atento. A cada desaparecimento físico das testemunhas vivas da revolução há os que insidiosamente se aprestam na sombra, intensificando a propaganda que distorce a história e promove as sínteses da falsidade e da lama. Seguros de que cada vez à menos testemunhas que os possam desmentir, usam os canais de reprodução do seu poder para rever a história e lançar a calúnia sobre os que construíram a democracia.

A cada morte física dos que construíram a democracia intensifica-se, pois, a responsabilidade geracional dos que ficam na resistência a esse processo. As músicas do Fausto são e continuarão a ser uma arma fundamental nas mãos do que ficam a fazer essa luta.


Para ler este texto do Diogo Martins sobre o Fausto Bordalo Dias em Substack  clique em:

Fausto (1948-2024) – by Diogo Martins – Fratura Exposta (substack.com)

 

 

 

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