https://www.youtube.com/watch?v=cm25D0ri-c0
Possivelmente já por aqui andou, mas não tem importância: ninguém se lembrará. Refiro-me a esta cantora e pianista, Shirley Horn e a este tema triste e nostálgico de um CD seu, em que se ouve um Miles Davis extraordinária e sabiamente discreto, quase sempre em forma de background e contraponto, mas sem o qual o tema não teria a mesma força.
A “força” desta faixa requer, aliás, muita atenção, compreensão e ouvido – adequações raras para a maioria da minoria dos meus seguidores, ou de quem se dá ao trabalho de me ler e ouvir – mas fundamentais.
Lembro-me de um amigo antigo já infelizmente falecido, com o qual ouvíamos muitas vezes esta Shirley Horn em sua casa, religiosa e atentamente…
Quem se der ao trabalho de ouvir (sim, é trabalho, dá trabalho, como toda a boa música) notará – por detrás do tempo infinitamente lento com que ela quase soletra a letra enquanto toca e após uma curta abertura do Miles – notará uma batida segura, nítida e rápida de bateria, sempre na borda da tarola e a intervenção do Miles – sinuoso, intimista, lentamente suave ou mais rápido (grande Miles!) com a sua surdina – até a Shirley regressar com aquela sua belíssima lentidão. O baterista nunca desiste da sua “rapidez”, o Miles vai apalavrando uns contrapontos lindos, quase nostálgicos e tudo se aproxima do fim…
Uma última nota, já agora, para este “mistério” do tempo, que ora parece lento, ora parece rápido – e o tempo é uma das minhas obsessões musicais – é que, possivelmente reparariam, há sempre uma multiplicação proporcional de batidas da bateria, ocupando vários compassos durante os quais a cantora e o seu piano se espraiam na lenta melodia.
Quanto ao Miles Davis varia, ou faz “o que lhe apetece”, magistralmente como sempre, é (mais do) que evidente.
Carlos

Obrigado a LaTramaDeLosCielos e ao youtube
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