As sílabas marginais/O ESQUECIMENTO/Nelson Ferraz

 

 

eu amo o sossego decisivo das árvores.

a chuva será sempre uma infância

sentada no degrau da porta vermelha.

a casa fechou-se com as raízes lá dentro.

os olhos esfregam-se na janela triste.

é tarde. é tarde. é tarde.

tempo. mil corredores. os pés são um labirinto.

tempo. mil rostos. a solidão é uma cratera sem legendas.

tempo. mil livros sublinhados até rasgar.

os pássaros regressam às folhas. ninguém à espera.

tempo. a viagem entre a carne das estrelas e o chão.

é tarde. é tarde. é tarde.

todos os lugares são alpendres e cinza.

esquecimento.

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