CARTA DE VENEZA – AS VIAGENS DE MARCO POLO REVISITADAS – por Vanessa Castagna

 

 

        Mais um grande evento vai assinalar o 700º aniversário da morte de Marco Polo e desta vez vai ser no palco do Teatro Goldoni de Veneza, precisamente na abertura da nova temporada teatral. Voltará a ser apresentada ao público uma obra que já pode considerar clássica: Il milione – Quaderno veneziano (O milhão – Caderno veneziano) de Marco Paolini.

     Marco Paolini é autor e intérprete de um repertório considerável, engajado, baseado na pesquisa das fontes e alicerçado na prática do monólogo, predominantemente em língua véneta, com modalidades e espírito que remetem para a experiência performativa de Dario Fo. O monólogo de Il milione – Quaderno veneziano é um dos seus trabalhos mais conhecidos, onde a voz e a efabulação têm a capacidade de construir, sozinhas, uma evocação poderosa. O pano de fundo é a laguna veneziana, enquanto o narrador é um homem da terra firme que, durante uma viagem de barco com um amigo, conta mil anos de história veneziana, desde as primeiras palafitas até chegar ao século XX, marcado pela exploração urbanística e arquitetónica e pela devastação ambiental, colocando os venezianos numa situação cada vez mais incómoda na sua própria cidade. As viagens de Marco Polo nesta narração sobrepõem-se, portanto, às viagens da contemporaneidade, como as dos trabalhadores que vêm de fora e as dos turistas, que se juntam aos moradores, por vezes bizarros, de uma cidade maravilhosa e ao mesmo tempo difícil.

         Há pouco mais de 25 anos, em setembro de 1998, a obra chegou a ser transmitida em direto numa das redes televisivas nacionais desde o Arsenal de Veneza (o vídeo encontra-se aqui:

 

Em 2011 foi encenada noutros espaços da cidade (Campo San Trovaso e Campo Madonna dell’Orto), além de ser levada a outras cidades e lugares. Este regresso a Veneza prevê cinco datas, de 23 a 27 de outubro, mais um encontro aberto ao público no dia 24, pelas 18 horas, no âmbito da programação cultural do Fondaco dei Tedeschi.

 

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