As sílabas marginais/QUOTIDIANO)/Nelson Ferraz joaompmachado28 de Outubro de 202427 de Outubro de 2024Literatura Navegação de artigos PreviousNext QUOTIDIANO um cão ladra solidão enquanto escuta as luzes que desparecem devagar nos muros da casa. lá dentro há um jogo de desculpas sem vencedor. um pátio pode ser o mundo inteiro quando o mundo inteiro é um habitual pedaço de ausência. o frio é uma folha cheia dos acasos que a vida escreve. entre o deserto do abandono e a cascata das estrelas um dia o céu será uma magnólia a galopar limites. um homem passa acorrentado às sombras da cabeça. as ruas descalçam-se com a lentidão enevoada das horas. da neblina pendurada nos candeeiros caem memórias com o estrondo da jornada repetida. as palavras anoitecem nas janelas. o silêncio decifra todos os erros. tudo o que existe cresce em lugares marcados pelo paralelismo dos desencontros. só a compaixão faz com que esses lugares se cruzem. um cão encosta o focinho ao chão e vê um homem que passa acorrentado às sombras da cabeça. pela frincha do portão os seus olhares cruzam-se por um instante e por um instante por um pequeníssimo instante abraçam-se demoradamente por um pequeno instante. o pátio fica uma rua. a rua fica um pátio. entre o deserto do abandono e a cascata das estrelas um dia o céu será uma magnólia a galopar limites. Share this: Share on Facebook (Opens in new window) Facebook Share on X (Opens in new window) X Share on LinkedIn (Opens in new window) LinkedIn Share on WhatsApp (Opens in new window) WhatsApp Email a link to a friend (Opens in new window) Email More Print (Opens in new window) Print Like this:Like Loading...
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