CARTA DE BRAGA -“das elites e da manipulação” por António Oliveira

Estes são tempos complicados porque, para os trabalhadores e todos os que assumam identidades socioculturais próprias (para além do lugar que ocupem), vão sempre surgir diferentes tipos de conflitos, por cada vez mais se exigir a defesa da noção e do sentido de classe.

Talvez seja importante recordar, que a maioria das elites e grandes proprietários (tantos anos depois das primeiras lutas por esta questão!), nunca perderam a noção de classe e nela baseiam o múnus das suas funções, usando mesmo os sentimentos e emoções para ‘amaciar’ a imagem, uma vez que tais identidades também abarcam, estatutos, privilégios mais ou menos históricos, bem como todos os benefícios pessoais e empresariais que usufruam.

Note-se, aliás, que não são muitas as notícias que envolvam gente desses ambientes, em escândalos sobre temas mais delicados como racismo, machismo, homofobia e outros, porque tais pessoas até podem ser o que quiserem ser, pois os que estão ‘mais abaixo’ são os que se encarregam de sofrer e carregar com as violações dos diferentes códigos –até de justiça– as descriminações e abusos, com que os media esgotam emissões e horas de contacto visual. Não há dúvida que é apenas uma questão de identidade e (obviamente) de classe. Mas não passa de (é o cá, cá!), como diz um amigo meu, para não gastar muita letra a explicar o óbvio!

Mas este pequeno grande problema, apesar dos populistas que se estão a sentar em todos os sítios que possam apanhar por cá, e nos outros países que fazem parte da associação económica e territorial onde estamos inseridos, pode vir a tornar-se muitíssimo complicada porque, de acordo com Duran i Lleida, advogado e colaborador da UE, ‘O resultado da irresponsável negligência europeia, nas políticas familiares e demográficas, coincide com o rejuvenescimento de África; e enquanto a Europa perde habitantes progressivamente, a quarta parte da população mundial será africana em 2050 –um da cada três jovens entre os 15 e os 29 anos, e 10 dos países mais jovens serão africanos.

Mas Duran i Lleida vai mais longe –se não formos capazes de dar uma resposta adequada a esta crise, como assinala o FMI, este dividendo demográfico, além dos trabalhadores que assegurem a sustentabilidade do sistema de pensões, precisaria de cerca de 18 milhões de postos de trabalho de alta produtividade por ano– e a esperança poderá acabar e ser uma condicionante irresolúvel para o futuro. Convém não esquecer que esta incapacidade é um pasto fértil para os populismos, com a emigração a ‘alimentar’ bem a extrema direita.

Discurso que, nas palavras do antigo ministro João Costa, é o mesmo do trumpa, do Orban da Hungria, do boçalnaro do Brasil e, por cá ‘O discurso de uma ala bastante conservadora do CDS e o discurso do Chega; quando recuperamos debates antigos, tem a ver apenas com três temas da educação para a cidadania, que são a educação sexual, a igualdade géneros e o multiculturalismo’.

Para terminar recordo o filósofo, linguista, sociólogo e activista político norte-americano Noam Chomsky, ‘Usar só o aspecto emocional, é uma técnica clássica para provocar um curto circuito na análise racional e no sentido crítico dos cidadãos, induzindo neles determinados comportamentos e condutas, porque o ruído da manipulação os impede de reflectir’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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