Momento da apresentação de “O Canto do Melro”, na UNICEPE. (Direitos reservados)
Reencontro-me com o padre Martins Júnior, 34 anos depois. À boleia da apresentação do livro “O Canto do Melro” (Bertrand Editora), de Raquel Varela. O reencontro aconteceu na UNICEPE, a Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, que acaba de celebrar 61 anos de vida.
Em boa verdade, melhor local para o meu reencontro com o padre Martins, um “humanista radical de coragem invulgar, em coerência com o mais puro ideário cristão”, não podia haver. A livraria da UNICEPE é um útero quente que nos aconchega e protege deste mundo em chamas.
“O Canto do Melro” é a biografia romanceada da vida e obra do padre Martins Júnior. Escrita com mestria pela historiadora Raquel Varela1, que se distingue pelo seu contributo para “a história global do trabalho e dos movimentos sociais”.
Raquel Varela faz ouvir “O Canto do Melro” a partir de uma impressionante recolha documental sobre um sacerdote que, da Ribeira Seca, na Madeira, atravessou “a história global, do fim do feudalismo em pleno século XX às lutas anticoloniais, da teologia da libertação à resistência antifascista”. E ao jardinismo, acrescento eu.
Em “O Canto do Melro”, “os tempos não acompanham “nem o Sol nem a Lua, nem os meses do calendário”. Tudo por boa culpa de um padre que combateu “o colonialismo, o despotismo do Estado, a tirania do mercado, que fez da Igreja o espaço e a qualidade dos afectos”.




