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Assim vai a Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa: chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Gouveia e Melo, nomeado ilegalmente como Professor Convidado
Coimbra, 8 de Dezembro de 2024
Conheci o Professor Freitas do Amaral e face ao texto que se segue só poderei dizer: As voltas que o Professor Freitas do Amaral terá dado no túmulo ao conhecer a nova realidade da Universidade Nova …
A Universidade, aparentemente vestida como uma velha e distinta senhora, bem maquilhada e com um ar jovem, saiu à rua. Nestes tempos de vendaval político, onde politicamente se prima pela falta de classe, quando pisou os primeiros paralelepípedos da rua viu que estava toda ela enlameada, escorregou e partiu-se toda, ficando mesmo com a cara desfeita. O que restou desta velha e distinta senhora, foi um corpo todo partido, e já brutalmente disforme pelos anos de neoliberalismo que tem sofrido na pele e na alma. E a roupa aparentemente de marca de topo de gama era agora apenas uma manta de retalhos cozida com fios de má qualidade e muito finos que nem sequer se viam, como se a peça de roupa fosse feita de uma só peça de pano.
Os tempos de lustro desta velha e distinta senhora foram-se, e desde há muitas décadas, e com eles foi-se a vergonha desta outrora distinta senhora. Os seus cabeleireiros de outrora, os seus mestres alfaiates, catedráticos de qualidade, investigadores de alto gabarito e outros, os seus jovens maquilhadores e cabeleireiros que sabiam conferir-lhe um ar de jovialidade quase eterna, os estudantes de qualidade, também desapareceram do seu campo visual, como se uma maldição tenha caído sobre o código genético da nossa juventude.
Do que essa velha e distinta senhora está agora a ser, aqui vos deixo a descrição sobre o que esconde um dos bocados de pano do seu vestido feito afinal de farrapos. de uma muito má qualidade.
Em tempos manifestei-me contra o que o que catedráticos de agora fizeram à velha e majestosa FEUC, reduzindo-a escombras, e os seus principais responsáveis têm nome, Álvaro Garrido, Pedro Godinho, Tiago Sequeira, reduzindo as matemáticas ao mínimo indispensável para que não se possa dizer que os estudantes saem totalmente ignorantes nesta área, eliminando matérias que deveriam ser consideradas obrigatórias, colocando disciplinas de referência a serem lecionadas com um numero menor de aulas e, pasme-se, a ficarem disciplinas em opção, etc.
Mantenho o que disse então. Mas o que estava por detrás do pedaço de pano que o jornalista de Página Um, Pedro Almeida Vieira, descobriu é bem pior que tudo o que eu tenha escrito até agora, é algo que não cheira a mofo, a velho, que não dá ares da mínima vergonha, é algo que cheira a podre, a muito podre, e também é sinal de muito perigo em termos políticos num futuro que está já à vista: a próxima eleição presidencial…
Mas Pedro Almeida Vieira, apesar do muito mau cheiro que exala daquilo que ele descobriu, é ainda um crente das Instituições universitárias enquanto eu já deixei de o ser. Com efeito diz:
Neste processo, o Estatuto da Carreira Docente Universitária foi sistematicamente violado e a validade da acreditação do próprio mestrado em Direito e Economia do Mar, coordenado pela antiga ministra do Ambiente do CDS, Assunção Cristas, arrisca a ser colocada em causa pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) por incumprimento das normas legais.
Pedro Almeida Vieira acredita ainda na tomada de uma posição séria da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). Eu não acredito, não por pessimismo, mas sim por uma questão de lógica: porque se esta Agência tivesse pulso não teríamos o Ensino Superior no estado calamitoso em que se encontra.
E não falo de um problema de competências: quanto a estas, falo por exemplo dos avaliadores externos. Ninguém poderá chamar de incompetente a pessoas como Isabel Soares ou Margarida Proença que terão avaliado o NOVO plano de curso de Economia da FEUC, mas o certo é que o plano foi aprovado. Portanto, não falo de um problema de competências, estas ainda existem, falo sim da colagem pura e simples da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) à lógica do sistema neoliberal, em que não se quer produzir competências, quer-se obter gente submissa nem que para isso se tenha necessariamente de passar a produzir cretinos digitais: um processo aliás iniciado com António Costa com a digitalização do ensino.
Pessoalmente pensava que os ministros da Educação de António Costa, referindo apenas ao que foi feito no ensino, eram designáveis por Ataris de baixo nível (referência ao grupo que rodeou Clinton chamado grupo Atari) e falo de Tiago Brandão Rodrigues, Manuel Heitor, Elvira Fortunato, João Costa. Sou muito crítico ao que em termos de ensino/formação foi feito pela governação António Costa, mas quando vejo este texto de Pedro Almeida Vieira lembro-me imediatamente o ditado popular:
Atrás de mim virá, quem de mim bem dirá.
Bárbara Wong cita hoje no jornal Público o psicólogo José Sá em que este com ironia diz:
“Eu acho que os livros fazem mal às crianças.” Justificando: “Porque as obrigam a parar e a pensar. São amigos do silêncio, dão-lhes a capacidade de estar sós. Algo que já quase ninguém sabe fazer.
Retire crianças e coloque estudantes universitários e é isto que se passa nas Universidades de agora.
Portanto Pedro Almeida Vieira ainda acredita nas Instituições atuais, eu não.
Mas a realidade que ele descobre por debaixo do farrapo da velha e outrora distinta senhora mas agora transformada em maltrapilha – só aparentemente bem vestida – sem classe e sem vergonha é ainda mais doloroso, porque o que ele descobre por debaixo desse pano é:
- uma serpente venenosa que se quer colocar em Presidente da República, o Almirante Gouveia e Melo.
- O baixo nível de moralidade que envolve as gentes do poder atual. Dessas gentes faz parte a autora de uma das mais funestas e terríveis leis que foram estabelecidas no tempo da Troika: a lei Cristas. As vítimas não eram as pessoas do seu meio económico e social, não, as vítimas eram as pessoas que viviam na mó de baixo.


