O DERRADEIRO NATAL DOS QUE VÃO MORRER NOS INCÊNDIOS DO PRÓXIMO VERÃO.
PRENDA DOS GOVERNANTES
por José de Almeida Serra
Qualquer analfabeto das nossas serras sabe o que vai, mais uma vez, acontecer. Múltiplos incêndios, vários mortos, propriedades destruídas, famílias desfeitas, o (des)governo falando em medidas que nunca tomará (atenção, há mais de trinta anos que acontece rigorosamente o mesmo), e autoridades várias choramingando sobre os cadáveres e bens destruídos, em eterna campanha de afirmação pessoal. Múltiplos discursos serão mais uma vez pronunciados. De novo teremos “notáveis” discursos, mas “burrocraticamente” com as mesmas soluções e consequências futuras.
Recordo alguns escritos desde finais dos anos de 1990, de responsabilidade individual (JAS) ou conjunta com Prof. Valente de Oliveira e/ou Dr. Rui Machete– que fizemos para o Conselho Económico e Social (quando funcionava) e que se destinava a pronunciar-se sobre os documentos fundamentais – Orçamentos, Contas, Planos e afins- e que são formalmente enviados ao Governo e Assembleia da República (e certamente também ao PR, mas nunca tive prova disso). Trata-se de meras súmulas existindo muitos mais materiais, até porque era evidente para quem se passeasse na Estrela, Lousã, Gardunha (as que eu frequentava) e quisesse satisfazer uma necessidade fisiológica qualquer nunca conseguia afastar-se mais de 5 metros da estrada. Aquilo teria necessariamente de arder.
Recordo ter-se produzido, por essa altura, um estudo dedicado exclusivamente à floresta e solução para os problemas florestais, com a criação de empresas privadas ou públicas intermunicipais.
Súmula de propostas:
GOP 1998 |
FlorestaEm matéria de “esforço de florestação” entende-se que se continua ao nível de meros enunciados de grandes princípios, tornando-se necessário fixar metas quantificadas e calendários de execução. Idêntica observação vale para “a continuação do investimento em infra-estruturas de combate a incêndios florestais”.Atendendo à situação caótica da gestão da floresta portuguesa – em alguns casos por desinteresse, mas na maioria, certamente, por impossibilidade ou incapacidade dos proprietários – reconhece-se vantagem na criação de empresa ou empresas, que associando capitais privados em caso de interesse, se proponham gerir, em condições mutuamente vantajosas, e por períodos suficientemente longos, esses terrenos de facto ao abandono. P20 |
GOP 2002 |
FlorestaNo seguimento de recomendação anterior de desenvolvimento de uma política integrada da prevenção e combate aos incêndios florestais, reconhece-se como positivo o estabelecimento de um programa comum entre o MAI e o Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Considera-se, contudo, que o Programa é ainda insuficiente – como os fogos do Verão deste ano demonstram – e o mesmo deverá envolver, de forma adequada, os produtores florestais e suas organizações associativas (relembra-se que 90% das matas são privadas). P35/36 |
GOP 2003 |
FlorestaMantém-se a recomendação anterior de desenvolvimento de uma política integrada da prevenção e combate aos incêndios florestais, para o que se propõe o desenho de programas comuns entre o MAI e o Ministério da Agricultura e Pescas, em articulação com os donos das florestas e os órgãos de administração dos baldios e as organizações de agricultores. Estes devem ficar incumbidos de tomar medidas em defesa e para limpeza das suas áreas agro-florestais. Entretanto o Estado deverá atribuir meios e outras condições de natureza técnica e financeira, para que os pequenos e médios proprietários e arrendatários e os com partes dos baldios possam planificar e executar tais intervenções. P16 |
GOP 2003 |
FlorestaO CES deixa algumas pistas em matéria florestal:
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O que fizeram Governo e/ou AR: NADA!
De quem é a responsabilidade pelas largas dezenas de mortos? Pelas largas centenas de estropiados? Pelo desfazer de povoações inteiras (a minha lá foi e há anos, uma delas)?
Como seria legítimo apelidar esses (ir)responsáveis? Não posso ser acusado de crime e por isso não o digo.
Lamentavelmente, esta colónia delícia de estrangeiros possidentes, nem como colónia consegue governar-se.
E perguntem-me o que faria eu? Como cidadão tenho obrigação de responder e repesco uma proposta que fiz no Conselho Económico e Social.
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As matas têm de ser rigorosamente limpas e em prazos fixados;
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Se não o forem sê-lo-ão por empresa(s), privada(s) ou pública(s), de preferência intermunicipais;
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Essas empresas terão a obrigação de manter as matas rigorosamente limpas, sendo o seu trabalho devidamente controlado a nível municipal;
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Os proprietários resolvem manter limpas as suas frações, tudo bem, não carecem de intervenção;
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Não o fazem, será o mesmo feito pela empresa (obviamente a partir de determinado prazo se o trabalho não se encontrar feito);
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Os proprietários pagarão à empresa em bases pré-fixadas pela Autoridade Pública;
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Pagam, óptimo; não pagam, são expropriados.

