PALCO 246 – ROBERTO MERINO – NATAL E POESIA

 

 

 

Pela originalidade deste presépio ilustro esta crónica com estas imagens, realizadas pela  tia de uma amiga madeirense,  Idalina.

– Autoria de  Silvina Rodrigues do sítio do Pomar Novo, Jardim da Serra. Natal de 2018.

Fotografias de António Rodrigues

É costume oferecer prendas no Natal, a tradição esteve ligada, na península Ibérica, aos presépios que adornavam as casas, e as prendas entregavam-se no dia de Reis, 6 de janeiro, também chamado de Epifania.

Neste Natal, como presente, deixo nesta crónica alguns momentos de Natal de autores que com as suas letras comemoram este momento eterno, com votos de umas boas festas:

 

Dos ceos á terra desce a mor Belleza,
Une-se á nossa carne, e a faz nobre;
E, sendo a humanidade d’antes pobre,
Hoje subida fica á mor riqueza.

Busca o Senhor mais rico a mor pobreza;
Que, como ao mundo o seu amor descobre,
De palhas vis o corpo tenro cobre,
E por ellas o mesmo ceo despreza.

Como? Deos em pobreza á terra dece?
O qu’he mais pobre tanto lhe contenta,
Qu’este somente rico lhe parece.

Pobreza este Presepio representa;
Mas tanto por ser pobre ja merece,
Que quanto mais o he, mais lhe contenta.

(Luís Vaz de Camões- 1524-1580)

 

Em Cruz não Era Acabado

As crianças viravam as folhas
dos dias enevoados
e da página do Natal
nasciam os montes prateados

da infância. Intérmina, a mãe
fazia o bolo unido e quente
da noite na boca das crianças
acordadas de repente

Torres e ovelhas de barro
que do armário saíam
para formar a cidade
onde o menino nascia.

Menino pronunciado

como uma palavra vagarosa
que terminava numa cruz
e começava numa rosa.

Natal bordado por tias
que teciam com seus dedos
estradas que então havia
para a capital dos brinquedos.

E as crianças com a tinta invisível
do medo de serem futuro
escreviam os seus pedidos
no muro que dava para o impossível,

chão de estrelas onde dançavam
a sua louca identidade
de serem no dicionário
da dor futura: saudade.

( Natália Correia – 1923-1993-, in ‘O Dilúvio e a Pomba’)

 

Natal

Menino dormindo…
Silêncio profundo.
Benvindo, benvindo,
Salvador do Mundo!

Noite. Noite fria.
Mas que linda que é!
De um lado Maria.
Do outro José.

Um anjo descerra
A ponta do véu…
E cai sobre a Terra
A imagem do Céu!

(Pedro Homem de Mello- 1904-1984)

 

Villancico de las Manos Vacías 

Yo tenía
tanta rosa de alegría,
tanto lirio de pasión,
que entre mano y corazón
el Niño no me cabía…

Dejé la rosa primero.
Con una mano vacía
– noche clara y alba fría –
me eché a andar por el sendero.

Dejé los lirios después.
Libre de mentiras bellas,
me eché a andar tras las estrellas
con sangre y nieve en los pies.

Y sin aquella alegría,
pero con otra ilusión,
llena la mano y vacía,
cómo Jesús me cabía
– ¡y cómo me sonreía! –
entre mano y corazón

 José María Pemán

(poeta espanhol, ingressou no mundo literário com uma série de obras poéticas inspiradas em sua Andaluzia natal- 1898-1981)

E um villancico/vilancete da folclorista chilena Violeta Parra (1917-1967), no qual a autora coloca numa voz popular nos seus modismos tradicionais, a adoração ao menino recém-nascido.

 

Doña María le ruego

en nombre de la fortuna

me deje ver su niño

que me van a dar la una.

 

Doña María le ruego, 

en nombre de la fortuna.

Doña María yo vine

a ver el niñito’e Dios.

Ustedes me dan licencia 

que me van a dar las dos.

 

Doña María yo vine

a ver el niñito’e Dios.

Pregúntele Mariquita

a su esposo Don José

deje mirar al niñito

que me van a dar la tres.

 

Pregúntele Mariquita

A su esposo Don José.

Tome en cuenta Mariquita

casi gasté los zapatos

por ver a su Manuelito

ya me va a dar las cuatro.

Tome en cuenta Mariquita

casi gasté los zapatos.

 

De Ñuble vine señora

de los campos de Niblinto

por saludar a su niño

antes que me den las cinco.

De Ñuble vine señora

de los campos de Niblinto.

 

Señora Doña María,

rayito de clara luz,

que viva por muchos años

con su niñito Jesús.

Señora Doña María,

rayito de clara luz.

 

 

 

 

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