AMOR E VIDA
poema de Adão Cruz
Se o amor vive longe da vida e a vida longe do amor não sei onde fica a vida.
Sei que ela vive no caminho simples dos montes e mora na música das flores, talvez na casa da poesia.
A vida só é poema quando se encontra o amor no caminho da vida e se descobre que o homem e o sol são irmãos naturais.
A vida só é poema quando o amor diz à vida que a neve pode ser pintada de cores quentes e o mar cabe dentro de uma gota de orvalho.
O amor é o lugar das palavras e dos versos onde a vida se faz poema.
A vida é a voz do silêncio quando o sonho dorme e o amor a canção da vida quando o sonho acorda.
Nunca a vida foi aurora resplandecente nem vazio infindo de nada.
A vida é criar flor a flor, fio a fio, espinho a espinho a esperança no alvor da madrugada.
Porque a vida é dar e não ter nada.
Há sempre um raio de luz ou apenas um copo de vinho para acender o sol em qualquer horizonte rente ao chão ou rente ao mar.
Os dias são cada vez mais curtos e as noites mais pequenas para acordar no meio de um sonho bonito.
Por isso o mar e o rio, o amor e a vida.
As margens do rio não secam e as ondas do mar nunca estão de partida.
Mais doces ou mais agrestes, beijam sempre as águas revoltas de tudo o que mexe dentro de nós.
Não somos mais do que a vida, a vida não é mais do que nós.

