Nota de editor:
Dada a extensão do presente texto, o mesmo é editado em oito partes, hoje a quinta.
Autópsia de uma morte de há muito tempo anunciada, a da Universidade (5/8)
Coimbra, 26 de março de 2025
Índice
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- Introdução
- De uma estranha exclusão a uma estranha inclusão
- O poder absoluto conferido por um título
- Sobre os tempos de desprezo pelos docentes, pela docência, nas Universidades de agora
- A Universidade, entre a vista curta da Rua da Betesga ou a visão larga da Praça D, Pedro IV, escolhe a rua da Betesga
- Anexo 1. Capitalismo da finitude
- Anexo 2. A propósito de um concurso para catedrático, um olhar para dentro da Universidade
- Anexo 3- A importância da história
9 min de leitura
(continuação)
5. A Universidade, entre a vista curta da Rua da Betesga ou a visão larga da Praça D, Pedro IV, escolhe a rua da Betesga [19]
Nas nossas faculdades e pelo que temos vindo a expor, retira-se desta realidade uma ilação imediata que é imposta pela hierarquia, e esta ilação significa o seguinte : um grau académico obtido na base de um título alcançado sobre um saber bem específico (a ignorância esclarecida de que fala Boaventura), que pode até nem sequer ser utilizado na respetiva faculdade, vale sempre mais e bem mais que o saber de qualquer docente polímata que não possua esse grau esse título, título a que eu chamo A visão da rua da Betesga contra a visão larga da Praça D. Pedro IV. O título desse grau académico, conferido por esse saber bem específico, pode, pois, conferir o poder a alguém para escolher o que é que quer ensinar, e de definir a(s) disciplina (s) que cada um de todos os outros deve ensinar, e o que é que nela(s) deve ensinar. Neste contexto, poderia haver no meu tempo alguém catedrático ou, na ausência deste, alguém professor associado que diria: eu quero lecionar as cadeiras até aqui lecionadas pelo Júlio Mota ou até ensinadas por qualquer docente. Hoje, propostas deste tipo passavam, passaram, de facto. Uma vergonha, é o mínimo que posso dizer face a esta realidade.
Daí se pode deduzir que hoje, por não me ter doutorado, não lecionaria nem Economia Internacional (licenciatura) nem Finanças Internacionais (uma cadeira suprimida por Tiago Sequeira) nem Macroeconomia da Economia Aberta (Mestrado) e é na confluência dos conhecimentos adquiridos para lecionar estas três disciplinas, associados à minha formação de polímata de que me reclamo, que se pode explicar como é que este tema do poder e da tese a que nos referimos no início deste longo texto surge e como surge como tese de mestrado e na altura em que surge. Ou será que esquecemos ou ignoramos que os dois mais famosos teoremas de Economia Internacional, o teorema das vantagens absolutas de Adam Smith e o teorema das vantagens comparativas de Ricardo, foram levados à prática através do domínio dos mares, pela força das canhoneiras [20]? Mas isto remete automaticamente para fora dos manuais clássicos de Economia Internacional, para um quadro de cultura geral, de polímata, de ensino crítico, e remete também para um tempo longo de permanência nas disciplinas. Aqui não há milagres, mas o que aqui afirmo não tem nada a ver com a ganância de poder dos nossos jovens turcos encartados com o título de catedráticos, de catedráticos de aviário, acrescente-se.
Na estrutura atual do ensino superior há uma ilação imediata a tirar: esta tese do Rui Ximenes Calvinho, uma tese sobre transporte marítimo e nos moldes em que foi feita simplesmente não existiria, e não existiria porque o nível de conhecimentos do aluno Rui Ximenes Calvinho, se fosse hoje, não estaria adequado a este tipo de tese e não existiria também porque eu, ou não existiria aí como professor (expulso por falta de perfil adequado) ou se existisse não teria o perfil acima expresso pela relação com o livro Le Monde Confisqué e muitos anos antes deste livro ser publicado. Nesta última hipótese seria um professor normalizado, o que eu nunca fui. Esta linha de análise levanta a espinhosa questão sobre o que é A MISSÂO DA UNIVERSIDADE, sobre o que é A MISSÂO DO PROFESSOR na Universidade, mas isto não é tema para desenvolver aqui.
A este propósito direi que valeria a pena ler ou reler o livro de José Ortega y Gasset, publicado pela Angelus Novus em 2004, “Missão da Universidade e outros textos”. Pela parte que me toca li-o pela primeira vez nos anos 70 numa edição em espanhol comprada em Lisboa, numa livraria especializada em livros espanhóis e situada na Rua Nova do Almada e li-o também depois, por volta de 2008, numa oferta do saudoso Joaquim Feio quando fiz anos. Quanto a esta minha sugestão, vou mais longe, sugeria aos diretores de Faculdade que oferecessem um exemplar a cada coordenador de núcleo da sua respetiva Faculdade. Se este livro for lido, sentido, refletido, talvez nada do que relato neste texto se voltaria a repetir. Mas hoje, os professores sabem cada vez mais mas de cada vez menos, ao ponto de saberem quase tudo mas de quase nada, nunca Niels Bohr esteve tão atual. E os alunos como filhos intelectuais destes mesmos professores, destes catedráticos de aviário, catedráticos sem tempo, sem história, sem espessura intelectual por falta de tempo para a criar, estes nem precisarão de ler livros para passarem com boa classificação, para serem cretinos digitais encartados, diplomados. Veja-se, por exemplo, na FEUC as notas de disciplinas como FEUC Skills, Projeto Integrador e Responsabilidade ética e sustentabilidade e digam-me se estou enganado.
A propósito de cretinos digitais dizia-me alguém de relevo nas ciências médicas em Portugal: só tenho medo de, quando envelhecer, ter necessidade de ser visto pelos médicos que hoje estamos a formar. Um outro médico-cirurgião dizia-me: dentro de 10 anos não teremos médicos de saúde pública, não haverá o espírito de missão que isso implica, não há haverá a formação científica que a sustente: haverá apenas grandes curricula.
A este nível de livros conto-vos uma história de tempos passados. Uma das pessoas que naquela época mais pedidos de aquisição de livros apresentava à Biblioteca era eu, se não mesmo a que mais pedidos de aquisição fazia. Alguém de peso na FEUC quis confrontar os livros que eu requisitava para leitura pessoal com os pedidos de livros que eu fazia para aquisição. Não seria com boa intenção, claramente. Soube disso, e um dia encontro-me com esse colega a tomar café no pequeno café Madeira que havia na Faculdade. Encaminho a conversa para esse tema com ele que, entretanto, me disse que eu deveria abrandar na pressão para a compra de livros: havia pouco dinheiro. Como subentendido haveria a posição crítica de que eu raramente requisitava livros, ou talvez, de que eu raramente lia livros.
Em resposta a este seu pedido, expliquei-lhe duas coisas muito simples. Primeira coisa, a Faculdade começou a sua atividade com poucos meios financeiros. e eram tão escassos que no final do primeiro ano de estarmos em Coimbra quisemos todos, eu e os que vieram comigo, irmos embora. O Boaventura Sousa Santos em boa hora conseguiu convencer-nos a ficar e ficámos com a garantia de que tudo se iria fazer para satisfazer as nossas pretensões que eram de ordem pedagógica e científica. E ficámos, eu, o Joaquim Feio, a Adelaide Duarte, o João Sousa Andrade, o Arruda Teixeira, e mais um ou outro.
Depois uma outra coisa que essa outra pessoa também não sabia era que muitos dos livros de economia utilizados no período em que a FEUC estava em princípio de construção, naquela altura, eram quase todos comprados com o dinheiro do nosso bolso, de quase todos nós. Mas isto não lhe poderia passar pela sua cabeça na altura, nem dele nem de muita gente. E uma outra coisa que ele não sabia e que eu lhe expliquei é que eu fiz um trajeto na vida muito especial, de autodidata. Podem-se rir com o que vou dizer: nunca aprendi a fazer uma ficha, nunca, tive de fazer a minha cabeça para suprir essa falha da aprendizagem que nunca ninguém me ensinou: aprendi a fazer as fichas “escrevendo-as” na minha memória, o que levou a forçar aos limites a capacidade de armazenagem de conhecimentos no meu disco duro: o meu cérebro. Mas isto tinha um custo espantoso: só fixava ao milímetro se o livro tivesse sido sublinhado e o que era sublinhado: o resto era pano de fundo cultural que fazia a sua função de enquadramento cultural do que era sublinhado, e quanto ao que era sublinhado sabia localizar inclusive a página onde estava o que eu queria. Ora, para sublinhar, o livro tinha de ser meu, tinha que o comprar. Ora, felizmente para a maioria dos professores e para a quase totalidades dos alunos, estes sabiam fazer fichas, podiam ler livros que não eram deles e com o mesmo efeito como se o fossem. Precisava-se, pois, de livros na Biblioteca. Infelizmente esse não era o meu caso, daí que, e concluí, raramente ia levantar livros à Biblioteca. Com as revistas era diferente: fotocopiava os artigos de que precisava.
Este era o tempo em que se faziam polímatas, fossem eles professores, fossem eles alunos, e destes havia mesmo alguns. Pessoalmente quando requisitava um livro na Biblioteca, era sobretudo para ver se valia a pena comprar o livro para meu uso pessoal. Para isso, e na altura não havia as facilidades de hoje, chateava meio mundo para mos comprarem, um amigo em Londres, um em Itália, dois em França, dois em Bruxelas, e um deles era o saudoso Carlos Tenreiro. Outras vezes comprava-os cá, mas cá comprava menos por causa do câmbio livreiro, se é que se lembram disso. Deixei-me rir e disse-lhe: foi assim que a FEUC, pela parte de Economia, estabeleceu as suas primeiras bases, rematei.
E por ironia contei-lhe uma história minha ocorrida em 1971, era eu aluno do Alfredo de Sousa. Num dia de setembro tinha lido um livro do Celso Furtado intitulado Théorie du developpement economique, um livro editado por PUF (Presses Universitaires de France) em 1970, mas este era um livro pequeno. Por volta de meio do ano, estávamos a trabalhar em grupo na Rua Gomes Freire, e eis que surge uma dúvida entre dois dos meus colegas. Face a essa dúvida, disse-lhes: não discutam, vão ao Celso Furtado, pág. 135 (imaginemos que era esse o número), que ele explica isso. Os meus colegas ficaram a olhar para mim como se eu estivesse a delirar. Uma aposta a um almoço, proponho eu ao ver tanto espanto. A aposta fez-se. Depois, antes de se abrir o livro, disse-lhes: proponho uma segunda aposta: pág. 135, quinta linha a contar de baixo. Apostam outro almoço? Todos disseram que sim e perderam as duas apostas. Ao contar esta história a este meu colega da FEUC que se interrogava porque é que eu requisitava tantas compras de livros e não lia nenhum perguntei: percebes o que quero dizer? Percebo, respondeu. Mais tarde era ele que me pedia para lhe comprar um ou outro livro de que precisava para organizar nas suas disciplinas. Não me perguntem quem é a pessoa a que me refiro porque eu responderei francamente que já não me lembro!
Mas esses tempos não são os tempos de agora, não são os tempos de catedráticos de aviário. Vejam o mapa dos concursos atrás e vejam o curto intervalo de tempo com que se pode chegar a catedrático. Ao contrário de hoje, esses tempos de outrora foram tempos de uma outra forma de estar na profissão de docente, foram tempos que deram origem a alunos como Miguel Morgado, Carlos Tenreiro (falecido), Pedro Ramos (falecido), José Reis, Ana Neto, Graça Leão, Filipe Soveral, Filipe de Almeida, Francisco Bandeira, Pimpão, Fernando Alexandre (atual ministro da Educação), Ana Abrunhosa, (ex-Ministra da Coesão Territorial), e o seu colega de grupo de nome Nina, Margarida Mano, Luís Aguiar-Conraria, Joaquim Feio (falecido), no ISEG, e tantos, tantos outros que agora não me vêm á memória, não querendo eu aqui citar ninguém no ativo da FEUC. Perceba-se a importância do tempo neste tipo de texto, da espessura do tempo nas aprendizagens, nos afetos que nesses tempos se criaram e foram esses os tempos que permitiram também que mais tarde ainda se façam depois alunos, como foi o caso do Rui Ximenes Calvinho, aqui citado porque ele foi o ponto de partida para este texto. Mas como ele podíamos citar muitos mais.
Sobre este aluno, o Rui Ximenes Calvinho, uma particularidade. Por razões pessoais, interrompeu os estudos na licenciatura em Economia na FEUC. Volta cerca de 20 anos depois. Numa das primeiras aulas teóricas da disciplina de Economia Internacional a que assistia depois do seu regresso à FEUC, e fazendo eu o que me era habitual, estou no quadro a escrever uma qualquer fórmula ou a fazer um qualquer gráfico e, de repente viro-me para a sala, faço uma pergunta e, apontando para um dado ponto da sala onde está o Rui Calvinho que já não via há mais de vinte anos. Este faz um movimento como se a pergunta lhe tivesse sido dirigida, movimento esse a que rapidamente reagi dizendo-lhe: o senhor não, já o conheço há muito tempo, a pergunta é para o seu colega do lado.
Esse há muito tempo significava então mais de 20 anos. É a partir deste incidente que eu e ele nos questionámos depois da aula sobre porque é que, ou como é que, eu ainda me lembrava dele. De modo preciso, não faço a mínima ideia e a explicação que poderei encontrar, recuando vinte anos no tempo era que talvez ele se tenha diferenciado pela sua sagacidade (enorme), pela sua elasticidade mental (muito boa) e até talvez por alguns traços de maturidade intelectual acima da média na época referida. Não vejo outras razões. O curioso deste já o conheço de há muito tempo levou a que ficássemos amigos e hoje sou seu padrinho de casamento pela parte da sua mulher.
Era um tempo em que as turmas eram mais pequenas, em que pequenos laços de empatia se desenhavam entre professores e alunos, sem que ninguém passasse a linha vermelha do respeito mútuo. Há uma linha vermelha entre nós, dizia eu no início de cada ano letivo e na primeira aula de cada disciplina que eu lecionasse, uma linha vermelha que não me permite passar para o lado de lá, o vosso lado, como não vos permite passar para o lado de cá, o meu lado. E vivi assim cerca de 37 anos, respeitando e sendo respeitado nesta imaginária linha vermelha.
Hoje, deixem-me ser eu, ou a realidade, a não ter boa educação e a recorrer ao baixo calão para perguntar: será que se pode mandar um professor para o C****** em plena aula sem que talvez nada aconteça a ninguém? É uma pergunta que aqui deixo. E se isso tiver acontecido, porque é que alguém há-de ter ouvido, se isso não se inscreveria em nenhuma linha do seu curriculum vitae, se isso só lhe acarretaria dissabores, com eventual instauração de processo disciplinar, etc. ? Terá isto mesmo acontecido, será este evento mesmo verdade ou será que estou a viver um pesadelo ao dizer isto? Ou será antes a realidade que é, em si mesma, um terrível pesadelo, bem maior do que aquilo que se poderia imaginar? Decidam o que quiserem, eu só sei que sou velho, que tenho 82 anos e que há muita coisa que não encaixa na minha caixa mental. Por estas e por outras é que eu conheço gente que espera ansiosamente pela sua passagem à reforma. Conheço até quem tenha pedido licença sem vencimento enquanto aguarda o momento de se aposentar definitivamente, e esse desejo, de se afastar definitivamente, passa-se em várias Faculdades, em várias Universidades e em vários organismos públicos. Ninguém neste país tem coragem para analisar o mal-estar que provocam as más condições de trabalho, uma vez que para os sindicatos parece que só são importantes as remunerações enquanto para o governo só são importantes os ratings, as notações, e para o efeito é toda uma enorme e dispendiosa engrenagem que é criada.
Olhando para o panorama universitário em Portugal, tudo isto me leva a acreditar que as Faculdades de agora se assemelham a pequenos hospícios geridos por alguns dos seus pacientes mais aguerridos, os jovens falcões que começam a invadir os campos universitários, contra os competentes técnicos de saúde, os professores que ensinam e os alunos, os estagiários, que querem verdadeiramente aprender.
Falo desta analogia a um antigo colega e amigo meu, um cinéfilo como haverá poucos, que me diz: estás-te a referir a Milos Forman e ao seu Voando sobre um ninho de cucos, mas ao contrário! Não, respondi eu, tenho na ideia O Criado de Losey. O Criado, porquê, questiona-me ele. Bom, é um filme de um marxista que nos explica, entre outras coisas, que entre uma má ordem (as faculdades de há vinte anos já doentes e com a sua doença agravada com a reforma de Bolonha) e a falta total de ordem (as Faculdades de agora sob o domínio dos jovens falcões) é preferível a má ordem. Mais ainda, no filme a desordem, digo-lhe eu, é instalada por alguém que vem de fora para a velha casa do patrão, o Criado, como de fora vieram para as Faculdades os jovens falcões, muitos deles ao abrigo da luta contra a endogamia, a serem o equivalente de O Criado do Losey. Podes ainda ver isto de uma outra maneira: uma revolução só é possível quando as pessoas estão preparadas, lembra-te de Grundrisse de Marx, e, porque estão preparadas, a revolução deve ser desencadeada pelas bases, deve vir de baixo para o topo e não o inverso. Repara para o caso português: o MFA abre em abril de 74 as portas a uma revolução vinda de baixo, mas as bases não estavam preparadas para a assumir e a revolução falhou estrondosamente. Inversamente uma contrarrevolução é sempre possível quando as pessoas na base não estão preparadas politicamente para se lhe oporem, quando estão fragilizadas como é o caso de qualquer Velha FACULDADE martirizada por múltiplos remendos criados com a reforma de Bolonha.
E a rematar este curto diálogo poderia ter-lhe dito: talvez o melhor paralelo entre a situação das Faculdades de antes de Bolonha e as de agora possa ser visto através de um conto de Kafka, O homem do leme. Trata-se de um conto instrutivo que nos mostra o resultado dos nossos compromissos sucessivos, das nossas cedências aos oportunismos de toda a ordem, e são estes compromissos múltiplos que explicam a existência do mundo absurdo que temos estado a criar [21]. E os resultados estão agora bem à vista, só os não vê quem não quer, seja ao nível da Universidade em geral seja ao nível da sociedade portuguesa como um todo. Como nos assinala Robert Kuttner. “A degradação da universidade e a corrupção da democracia são os dois lados da mesma moeda”. E o que incomoda ainda mais é o silêncio sepulcral em torno deste binómio.
Em conclusão desta digressão pelo interior do ensino universitário, diremos que o texto de Branko Milanovic com que iniciámos esta nossa longa análise sobre o ensino superior, e que a este serviu de pretexto, é a recensão de um muito bom livro, “Le Monde Confisqué”, de Arnaud Orain, e anuncia um outro, do próprio Branko Milanovic, “Transformation: National Market Liberalism in a Multi-polar World”, Penguin’s/Allen Lane, novembro de 2025, que não lhe será inferior, garantidamente.
(continua)
Notas
[19] Sobre esta parte, veja-se também o anexo 2.
[20] Se dúvidas há tomemos como exemplo o período a que os chineses chamam de “um século de humilhação”. Veja-se anexo 3.
[21] Exemplo emblemático de Homem do Leme de Kafka encontramo-lo em Trump. Trata-se de alguém estranho à democracia que entra no sistema democrático, ocupa o leme, impõe a sua ordem e as pessoas pelo medo submetem-se.


