CARTA DE BRAGA – “da Kodak e memórias” por António Oliveira

Li mais uma vez, num sítio qualquer, que a ‘Kodak’, tinha acabado mal, numa falência que espantou toda a gente, só por não ter sabido ou conseguido, fazer a transição da química para a electrónica, apesar de muitos dos seus executivos terem percebido a tempo, como a fotografia estava a mudar.

A leitura daquele texto trouxe-me à memória, o fotógrafo de um local onde trabalhei três anos, que também tinha uma, mas só para fotografias em estúdio ou em ocasiões apropriadas, porque ele preferia a ‘Pentax’, com que fazia e revelava as fotos que o tornaram bem respeitado no meio.

E pus-me a pensar na minha vida e na de uma qualquer empresa, bem como das inovações que permanentemente terei, teremos e terão de fazer, devido à pressão e evolução dos tempos, por ser o mundo em que todos vivemos, pelo modo como está e continuará em mutação, para também nos podermos garantir um futuro decente, onde a vida de milhares de pessoas não esteja dependente de um ‘birdie’ numa tacada de golf de um dos mais grosseiros ‘maus’ da estória, um tipo de encenação de uma farsa ordinária, sem respeito pelos espectadores, obrigados à presença da que, por tudo o que ela implica, ser só uma comédia absolutamente obscena.

E naquele mesmo sítio passei os olhos por uma entrevista a uma senhora que é criadora de conteúdos para empresas audiovisuais, e que à pergunta ‘- Se fosse presidente por um dia, que lei aprovaria e por quê?’ respondeu ‘- Aprovaria a lei ‘Vamos ver o que faria sem mim, chefe’, só para lembrar educadamente aos empresários, que a empresa sem trabalhadores não gera riqueza, e que se agirmos estupidamente, vamos todos perder!

Mas o ‘dinheirinho’ é a mais importante de todas as coisas, é a que nos permitirá, no tal futuro, se o houver, saltar as tais mutações (se formos do mesmo clube do chefe!) porque, como o tal ‘mau’ grosseiro, despede qualquer um que lhe apresente estatísticas oficiais que não estejam de acordo com o que ele meteu naquela cabeça, que só deve ter um nódulo a funcionar, e se não houver golf.

Mas parece que o ‘mau’ já era bem conhecido! Só a Von der Leyen e um tal Mark Rutte, um holandês com cara de diácono, nunca tinham ouvido falar do fulano, e ofereceram-lhe a Europa, sem discutir essa oferta com todos os parceiros, e mais alguns outros que também queriam entrar na ‘tertúlia’, porque é assim que o fulano do ‘golf’ encara este continente, em que ele até estará disponível para ‘comprar’ ou anexar algumas partes, mas para já, já lhe disponibilizam alguns troquitos para as despesas mais urgentes, mas a gastar lá na terra dele e em armamento, para ele resolver os tais problemas do emprego.

Termino esta Carta com uma afirmação de Carol, o antigo director do ‘La Vanguardia’, que ainda mexe e bem, ‘Civilização é um estado de progresso social, cultural e político característico de sociedades avançadas. Mas a sensação é de que a civilização, como a entendemos, escorregou pelo ralo da história, deixando-nos apenas com a nostalgia de uma época em que os bárbaros não haviam dominado a Terra e os tolos não os aplaudiam com as orelhas’.

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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