Andamos no mundo com um ponto de interrogação sobre a cabeça. O que era verdade hoje já não o é amanhã.
Tudo o que a humanidade conquistou foram utopias pelas quais lutaram contra as ditaduras.
As utopias sobre o fim das guerras, as utopias sobre as desigualdades sociais.
E o que vivemos hoje? Vivemos num mundo em que há cada vez mais violência, cada vez mais a distância entre os mais ricos e os mais pobres é cada vez maior.
Silencia-se esta realidade com problemas de diversidade cultural devido à livre circulação entre países. Os problemas nacionais centram-se nas diversas culturas pela exclusão, pela calúnia, pela origem de todos os males sociais. A saúde está doente porque os emigrantes têm direito a recorrer aos cuidados de saúde, a educação deseduca porque há muitos alunos filhos de emigrantes que não falam português.
O mundo está a transformar-se pelo silenciamento das questões mais importantes, a diferença cada vez maior entre os mais ricos e os mais pobres, os que têm habitação digna para viver e os que vivem amontoados em quartos, os que vivem na rua; os que são explorados pelo horário de trabalho, pelos baixos salários, pelos despedimentos, pela denúncia dos ilegais.
Os governantes fazem discursos que nada têm a ver com a realidade que lideram, fantasiam, inventam, caluniam, apresentam dados falsos sobre a segurança e os emigrantes, querem à força mudar modos de vida culturais. Os meios de comunicação social não conseguem entrevistas criativas que levem os políticos a falar dos seus programas sociais, os políticos e comentadores fazem parangonas com casos isolados para se tornarem em flagelos sociais.
Faz-se um silêncio dissimulado que não causa ruído, o silêncio fez o chão sumir-se debaixo dos nossos pés…
O presente está esquecido do passado, não aprendeu as relações entre países democráticos e países ditatoriais, os mitos do futuro destoem-se com o presente, não há futuro pelos quais lutámos, há o vazio, o esquecimento, o silêncio que não é apaziguador.
Os Direitos Humanos e a Democracia estão a ser postos em causa, derrapando para o seu contrário.
Mas o silêncio que quer fazer esquecer, torna-se ensurdecedor apesar de pequenos, grandes gritos contra genocídios, matando inocentes, derrubando povoações com bombardeamentos, com as inverdades de cessar-fogo, com o impedimento de levar cuidados primários de saúde e alimentos.
Sim, falo de movimentos como as flotilhas. De repente o silêncio deu voz às injustiças, a crimes contra a humanidade. A extrema direita e muitas outras fações políticas foram ágeis em apontar o dedo a um erro de casting, em vez de valorizar quem quer responder ao silêncio sobre crimes contra a Humanidade.
O silêncio é cúmplice do mal viver deste mundo.
O ar do tempo é o entusiasmo e a recusa de novas tecnologias, a Inteligência Artificial, serão benéficas ou maléficas para as organizações sociais, para cada Ser Humano? Seremos os novos escravos em nome de avanços tecnológicos e não desfazedores de silêncios vários?
Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia tento comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde exista opressão, seja a que nível for.