Há uma nova estrela na laguna veneziana e não é humana. O golfinho Mimmo – um brincalhão com uns cinco anos de idade que já se tornou notícia na imprensa mundial –, ao contrário do que acontece habitualmente com a sua espécie, após mais de um mês a nadar nas imediações da bacia de São Marcos, parece não querer mesmo ir-se embora. Os golfinhos não são raros no ecossistema veneziano, mas apenas como visitantes passageiros, que pouco se detêm neste ambiente; o caso de Mimmo é mais uma consequência da interação das pessoas, principalmente turistas, com animais, sobretudo dando comida sem ter noção dos efeitos que esse gesto ingénuo pode desencadear.
Foi assim que o golfinho Mimmo exigiu uma intervenção especial, que pesquisadores e veterinários consideraram essencial para o proteger da excessiva atenção que os turistas lhe dirigem, à procura da selfie inigualável, inclusive recorrendo a tours organizados para tal. Em especial, duas feridas observadas na barbatana dorsal do animal alertaram para a necessidade de o conduzir até ao mar aberto e afastar dos perigos que os barcos a motor representam no espaço aquático veneziano.
Uma equipa de investigadores e voluntários acompanhou as operações de uma lancha patrulha, do barco pneumático da capitania veneziana, meios da Guarda de Finanças, bombeiros, polícia local, proteção civil, guarda costeira e outras embarcações, que criaram um corredor com dispositivos acústicos de dissuasão para conduzir o golfinho Mimmo longe do trânsito aquático. Mas Mimmo, ao cabo de seis horas, já estava de volta. Nos próximos dias, tentar-se-á uma nova operação de afastamento, através de uma barreira acústica permanente.
[Créditos de imagem: CERT – Cetacean strandings Emergency Response Team]



Eu já simpatizo com o Mimmo. Vanessa, por favor, dá-nos notícias dele.