Aproveito a Carta de hoje, Dia de Natal, para contar uma experiência vivida pelo fundador da Psicologia Analítica, Carl Jung, também psiquiatra e psicoterapeuta, que veio a influenciar e ser influenciado por Freud, a partir dos primeiros estudos sobre a psicanálise, iniciados por este último, mas Jung sempre discordou da base freudiana, por lhe atribuir uma enorme carga sexual, ao invés da espiritual.
Jung debruçou-se sobre a análise e interpretação dos sonhos, que o levaram peregrinar pelo mundo inteiro, onde a viagem mais marcante terá sido aos Índios americanos do Novo México, em especial os ‘Taos Pueblos’, por uma cosmovisão onde a importância do Sol era bem distante do racionalismo europeu e ocidental, por ter encontrado na figura do índio a imagem do self e do inconsciente colectivo.
“Foi com um grupo de amigos e, pela primeira vez, falou com um homem não branco, o chefe Ochwiay Biano (Lago da Montanha) com quem, afirma Jung, ‘consegui falar como raramente consegui falar com um europeu;com um europeu, estamos constantemente a bater em coisas há muito conhecidas, mas nunca compreendidas; com este índio, flutuava livremente em mares profundos e estranhos, e nunca se sabe o que é mais agradável, se vislumbrar novas costas ou descobrir novas abordagens ao conhecimento antigo quase esquecido’.
E como escreveu Jung, basta pensar só nesta afirmação de Ochwiay Biano, ‘Os brancos parecem cruéis. Os lábios são finos, os narizes afiados, os rostos enrugados e distorcidos por dobras. Os olhos têm uma expressão fixa, sempre à procura de alguma coisa. O que procuram? Querem sempre alguma coisa, inquietos e agitados. Não sabemos o que querem, não os entendemos. Achamos que eles são loucos’.
Perguntei-lhe porque achava que os brancos eram loucos.
‘Eles dizem que pensam com a cabeça’
‘E como é que você pensa?’ perguntei surpreendido
‘Nós pensamos aqui’, disse ele indicando o coração”
Mas não ficou por aqui o espanto e a admiração de Carl Jung. Os rituais e a sabedoria colectiva até ressoava com a sua própria ideia do inconsciente colectivo, mostrando uma profundidade espiritual que o ocidente descuidava ou recusava. E contou como todos os dias, antes de o Sol nascer, a aldeia inteira se levantava e se aproximava das colinas, ‘Para ajudar o Pai Sol a nascer, a atravessar o céu e a girar o mundo’, dando à vida daquele povo, um sentido cosmológico profundo, talvez a base da harmonia cósmica em que se moviam!
Jung acabou esta parte dos apontamentos que li, com uma frase que bem se adapta ao mundo de hoje, ‘Todas as águias e outras criaturas predatórias que adornam os nossos brasões, parecem-me representantes psicológicos adequados da nossa verdadeira natureza’.
Basta pensar nos narcisistas arrogantes de agora, que querem mandar no mundo todo, nos ‘memes com pernas’ que os querem copiar nos parcos territórios de que são chefes, para nos desejarmos ainda, um Bom Natal e um Ano Novo feliz!
Boas Festas!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor
Amigo, acabo de ler a tua “carta”…Só hoje, tive silêncio e tempo para tal…Obrigada, bom amigo…Tudo se aproveita naquilo que escreves e sempre há algo que nos acrescenta.Desta vez, ainda mais oportuna esta carta face aos perigos do nosso tempo…OBRIGADA! O nosso abração!
Obrigado também pelas tuas palavras. São de gente como tu, que não anda à procura de palmadas nas costas, que nos vêm as opiniões simples e singelas que nos fazem andar.
Obrigado Raul e um Bom Ano para vocês.
UJm abraço. Anrtónio
Amigo, acabo de ler a tua “carta”…Só hoje, tive silêncio e tempo para tal…Obrigada, bom amigo…Tudo se aproveita naquilo que escreves e sempre há algo que nos acrescenta.Desta vez, ainda mais oportuna esta carta face aos perigos do nosso tempo…OBRIGADA! O nosso abração!
Obrigado também pelas tuas palavras. São de gente como tu, que não anda à procura de palmadas nas costas, que nos vêm as opiniões simples e singelas que nos fazem andar.
Obrigado Raul e um Bom Ano para vocês.
UJm abraço. Anrtónio