Este pedaço do planeta a que ainda chamam Europa, formado por um conjunto de países que já teve alguma importância entre todos os outros, está hoje metida num espaço geográfico, político e geoestratégico que parece não entender, porque a maior parte dos que o integram, têm o ‘tino’ apontado para outras direcções, apanhados por hierarquias nacionais e internacionais que parecem também bem longe do interesse e da vontade dos seus povos que, por acaso, raramente ouvem ou consultam.
E nem é preciso ter grandes conhecimentos dos contornos dos continentes e dos mares que os rodeiam, para verificar que de um lado existe um tipo que sonha ser Pedro ‘O Grande’, o reconstrutor do império de lá, de tão ‘colossais e trágicas memórias’, e do outro lado outro mais um tipo que quer ser só o ‘trumpa’, o ‘rei’ mais rico do lado de cá, antigamente conhecido por Ocidente, que até já começou a treinar para tal, cobrindo de ouro (não sei de quantos quilates) todo os espaços onde se movimenta.
Não sei bem como se tratam as pessoas cultivadas e eruditas nos espaços do tal ‘Grande’, sei apenas de alguns fulanos com vontade de voar sem equipamentos apropriados, que experimentam por vezes tais equipamentos, partindo da altura de alguns andares, nos sítios onde se alojam. Sei também que do lado do ‘trumpa’, essas pessoas começaram a ver retirados os apoios às universidades onde ensinam e investigam, a começar por Harvard, até por grande parte deles ter origem na ‘velha’ Europa que, depois da Segunda Guerra, se pendurou nos valores e costumes dos americanos, apesar de nunca termos importado nenhum John Wayne, por o gado bravo estar limitado às arenas, nem sequer um quase despido Johnny Weissmuller, por aqui não haver lugar para um ‘Tarzan’!
O professor e escritor Carlos Fortea, explica estas estratificações e alterações políticas e sociais, como estando nós a entrar numa nova era dos condottieri, que marcaram a península itálica dos séculos XIV e XV, mercenários profissionais, que comandavam exércitos das cidades estado por contracto (condotta) também conhecidos pela enorme ganância e imprevisibilidade, assumindo mesmo o comando de exércitos privados, se a ‘colheita’ fosse compensadora.
E quem é quem e o que isto me faz lembrar?
Mas para que estou a complicar todas estas coisas, e as que correm o risco de se tornar banais numa época de ‘tik tok’s’ e ‘manhas’, os melhores veículos de fakes, recortes e montagens com e sem I Artificial, iniciados que foram nos tempos da Artesanal. Estes até são tempos em que aparece demasiada gente a falar em debates inúteis, com argumentações e contra-ataques só ao nível da palavra, que já nem existem nos areópagos criados para isso, onde ela já não tem valor, por eles também não terem poder algum, entregue que foi a alguns dos mais poderosos.
E então aparecem os de segunda escolha, os que têm penteados, e mesmo artefactos mecânicos extravagantes, mas cujas condutas deixam milhares de mortos em razias despudoradas de terras e gentes, perante o silêncio atroador de outra gente das hierarquias nacionais e internacionais, por mim e aqui referidas no primeiro parágrafo, alguns com cara e jeito de cónego (Rutte), e que até já chamaram ‘daddy’ ao mesmo tipo que se crê ‘rei’ desta coisa, a que os antigos chamavam Ocidente!
‘Rei’ mesmo, por se julgar incluído no número de pessoas com direito a usar a expressão latina ‘legibus solutus’, que significa ‘isento das leis’, antes aplicada aos imperadores romanos e que, desde então, era usada para definir o poder absoluto, como ensina Ramón Soriano, professor Filosofia do Direito e Política, ‘Mas é hoje aplicada ao poder ilimitado desfrutado pelos reis da era pré-liberal, poder esse que foi gradualmente perdido com o avanço do constitucionalismo e da democracia parlamentar’, esclarece também Ramón Soriano.
E que é o que isto tudo me faz lembrar? Se calhar gritar um monte de palavrões, por nestes tempos e neste mundo, não existirem princípios, apenas interesses!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor