Formalizou-se há poucos dias o empenho conjunto do mundo da investigação científica, das autoridades portuárias, das instituições e da sociedade civil para proteger o ecossistema veneziano sem prejuízo da sua economia perante as alterações climáticas que ameaçam a laguna, através de um pacto que visa implementar ações de restauração ecológica.
O objetivo é superar a fragmentação dos dados científicos e criar uma linguagem comum para uniformizar as diferentes metodologias de investigação num único sistema integrado. O pacto baseia-se no projeto europeu Rest-Coast (https://rest-coast.eu/ ), focado na defesa das costas frágeis. A laguna veneziana é um ecossistema delicado e um ambiente único, moldado pelo homem ao longo de mais de um milénio, que hoje tem de encarar novos desafios; um deles é conciliar a navegabilidade com a proteção ambiental, devendo apostar em tecnologias modernas.
Um dos pontos centrais do pacto diz respeito à gestão da barragem Mose. A decisão de quando levantar as comportas deixará de ser motivo de discórdia, passando a ser totalmente confiada ao rigor da comunidade científica. Desde 2020, quando foi ativado pela primeira vez, o sistema Mose já entrou em funcionamento 151 vezes, tornando Veneza, de certa forma, a cidade mais protegida do mundo, mas evidentemente não isenta de riscos. A própria construção e ativação da barragem tem interferido com o ecossistema lagunar.
Hoje em dia, a erosão dos fundos marinhos e as alterações morfológicas estão a favorecer a invasão de espécies exóticas, como o caranguejo azul e a noz-do-mar, pondo em risco a biodiversidade autóctone e o equilíbrio biológico de toda a bacia. Precisamente para combater estes fenómenos degenerativos, o papel da coordenação científica previsto pelo pacto será o instrumento indispensável para garantir a sobrevivência do ecossistema veneziano no século XXI. Resta agora traduzir as boas intenções em ações concretas.
(Créditos da imagem: Chris 73 em
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:MOSE_Project_Venice_from_the_air.jpg)


