Subiste a ladeira íngreme de muitos rostos
Que te esqueceram quando o mar deixou de ser
Um adolescente suspenso.
Os dias de então amontoaram-se junto
À porta das noites feitas de areia transparente
Que o tempo não sacudiu com minúcia.
Entoas agora o sorriso vazio dos barcos
Que passaram carregados de anúncios sobre
Os contornos do teu desapontamento.
Melhor assim dizes ao vento norte que ainda
Sobrevoa os sonhos que nem sequer lembras.
As ondas nunca foram uma canção de ficar.
Nunca houve sereias a sério quando era verão.
Melhor assim sem dúvida dizes a ti que lembras
A inutilidade do amor quando a areia enche
E galga o mar.


