EDITORIAL – TOPONIMIA E POLÍTICA

 

logo editorial 

Temos aqui  denunciado e também condenado o abusivo oportunismo dos partidos políticos que, chegados ao topo, seja no Governo, no Parlamento, nas autarquias, se permitem mudar o nome a ruas, jardins, praças, avenidas e equipamentos urbanos. A substituir toponímias tradicionais por nomes da sua gentinha. 

Um vulgar deputado do partido único do salazarismo no «parlamento», integrou a chamada «ala liberal» – gente situacionista que se apercebeu de que para manter o essencial, o poder nas mãos de quem o detinha, era preciso sacrificar o acessório e sacrifício a arraia-miúda (legionários, agentes da polícia política e informadores) e, mais cosmopolita do que a manada de búfalos que enchiam as outras cadeiras, percebeu que se pode chamar democracia a um regime oligárquico e que os votos, mesmo sem fraude, iriam parar às suas mãos. Percebeu que Mário Soares, chamando outros nomes às coisas, tinha os mesmos objectivos e aliou-se-lhe, conseguindo ambos esconjurar os perigos de uma esquerda que, mesmo dividida por questões de folclore, representava um perigo quando ligada às facções da esquerda militar. Sem o passado e o fulgor social-democrata de Soares, aliou-se-lhe.

Não deixou sequer um discurso de jeito… um zero. Morte trágica, acidental ou premeditada mas sem que fosse ele o objectivo, aí temos o segundo aeroporto do País e uma importante praça da capital levando o seu nome. Em Lisboa o anódino Portela vai ser(e bem) substituído por Aeroporto Humberto Delgado.

 Em 17 de Fevereiro de 1869 nasceu Gago Coutinho e hoje, dia 18, amanhã, passa o aniversário da sua morte em 1959.  Geógrafo cartográfico, combatente na Grande Guerra,  almirante da Marinha Portuguesa, navegador e Historiador, com o piloto-aviador Sacadura Cabral, foi um pioneiro da aviação de longo-curso, pois realizaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul em 1922, celebrando o primeiro centenário da independência do Brasil. Um herói nacional, um cientista – o seu nome poderia substituir o de Pedras Rubras- Outra hipótese seria o de Bartolomeu de Gusmão (o da Passarola).

Mas não eram salazaristas nem faziam parte de «ala liberal»…