POESIA AO AMANHECER – 352 – por Manuel Simões

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                                   MANUEL LOPES

                                     ( 1907 – 2005 )

            LIBERTAÇÃO

            E porque o teu coração encerra

            a saudade do mar e a saudade da terra

            – tua ilha é grande.

 

            E porque teus sentidos traçam norte e sul

            e traçam leste e oeste norte e sul

            – tua ilha é grande.

 

            E porque tens os olhos virados para o azul

            para lá do azul e para cá do azul

            – tua ilha é grande.

 

            e porque teu sangue vive o destino de tantas raças

            no mesmo latejar de ansiedades e resignações dores alegrias e desgraças

            – tua ilha é grande.

             (de “Crioulo e outros poemas”)

 Poeta, ficcionista e ensaísta. Um dos principais elementos do movimento “Claridade”. Mais conhecido como romancista (“Chuva brava” e “Os Flagelados do Vento Leste”), figura em antologias poéticas como “Poesia de Cabo Verde” (1944) ou “Modernos poetas cabo-verdianos” (1961). Como poeta publicou: “Horas Vagas” (1934), “Poemas de quem ficou” (1949), “Crioulo e outros poemas” (1964) e “Falucho Ancorado” (antologia, 1997).

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