(UM ASSALTO DE 1.100 MIL MILHÕES DE EUROS) QE: COMO O BCE SE ESTÁ NAS TINTAS PARA O MUNDO – por OLIVIER BERRUYER – IV

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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(Um assalto de 1.100 mil milhões de euros) QE: como o BCE se está nas tintas para o mundo

Olivier Berruyer, [Hold-Up à 1 100 000 millions d’€] QE: comment la BCE se moque du monde !

Les-Crises.fr, 23 de Janeiro de 2015

(CONTINUAÇÃO)

Bem, então a QE serve para quê, na verdade ?

Pois bem, é  bem simples, um tal QE serve principalmente para duas coisas  :

  1. Compreendemo-lo todos, a continuar o esbanjamento financeiro, a manter-se a funcionar assim estaremos a criar verdadeiras e gigantescas bolhas, sem sentido e perigosas – evitando a verdade dos preços (que tem incontestavelmente impactos negativos sobre a economia real)

Isto permite também aos Estados verem  reduzir a taxa de juro  que pagam (não pagando o bom preço) – e por conseguinte a poderem  continuar a endividar-se ainda mais. Isto parece bem ser assim  mas é na verdade como estar a adquirir droga gratuitamente. E no dia em que a corda se parta e seja necessário  pagar o verdadeiro preço sobre os montantes enormíssimos de  dívida, é a falência assegurada

  1. Serve melhor ainda — a ajudar os bancos privados  !

Vejamos o que se passe com um crédito concedido a um Estado  ?

Pequena simulação contabilística, lamentamos, mas esta é importante :

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Quando tudo se passa  bem: (1) digamos  que a Grécia recebe  1.000 de um banco por  um empréstimo a  20 anos. Note-se que o banco encaixa um juro de 7%, por conseguinte ELEVADO, em contrapartida de um risco de não-pagamento  (sem este risco, as taxas seriam sempre muito fracas).

(2) ao fim  de 20 anos, a Grécia aumenta os  impostos que vão bem (ou re-empresta na verdade) e reembolsa o banco. Tudo vai bem.

(3) mas há um  problema, no caso de não pagamento (incumprimento ou default)  o banco perdeu o seu dinheiro (e a Grécia ganhou-o visto  que não o paga).

(4) e no caso agora levantado pela medida do BCE, enquanto que as inquietações aumentam  sobre a capacidade da Grécia em  reembolsar, e por conseguinte que o risco que foi remunerado à taxa de 7% parece ver aproximar a sua realização, o BCE intervém ,  interpõe-se entre o banco privado e o governo grego, comprando de novo a obrigação de risco comprada e detida nas mãos de um  banco PRIVADO que foi remunerado por assumir  este risco! Por conseguinte retoma uma obrigação perigosa no momento em que o risco de incumprimento se aproxima ! Obrigado para o con….tribuinte

Com efeito, vê-se efectivamente que nesta operação:

a liquidez  no sistema aumenta de 1000 (o banco é reembolsado, mas a Grécia nada ainda pagou): dinheiro à vista  para continuar a jogar…

  1. o banco recupera 100% da sua aposta  e exactamente  por 1.100 Md€ – obrigado Mario…

  1. o BCE recupera o risco apodrecido e o risco de incumprimento !

Assim, é  um pouco como se a  10 minutos antes do Titanic chocar com  iceberg , o BCE chegue   de barco, lance uma corda a um  multimilionário que desce no barco e o BCE toma o seu lugar sobre o barco – e  comprando-lhe de passagem o bilhete ao seu preço inicial., dito de tarifa plena. …

Não é bonita a vida?

N.B.:  apercebemo-nos todos  aqui e claramente no  quadro da  hipótese (4) como é criada a moeda (aqui moeda de banco central). Tudo se passa num jogo de inscrição de números nas contas,  PORQUE o banco (central) gere “a conta em banco” do cliente (aqui um banco normal). Em troca do crédito detido pelo banco normal, o BCE credita simplesmente a sua conta em banco de 1000. Escreve então 1000 com o sinal  mais – e nada mais é preciso. É uma possibilidade que resulta do  privilégio de ter a gestão das contas – exactamente como se cada um de nós tivesse as contas de  uma parte de Scrabble ou do Póquer, é-nos exactamente suficiente… é claro, desde que se  acrescente com a nossa esferográfica  1000 euros. NATURALMENTE, esta possibilidade é em geral proibida – por princípio mesmo de ser o detentor de uma conta, é necessário respeitar as regras (se não os bancos poderiam recomprar de novo o país a partir de uma simples inscrição feita com um lápis !)… Daí  o famoso provérbio “os créditos (ou aqui as compras de créditos) fazem os depósitos” (é ensinada no  1o ano dos cursos de economia).

(continua)

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 Para ler a Parte III deste trabalho de Olivier Berruyer, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

(UM ASSALTO DE 1.100 MIL MILHÕES DE EUROS) QE: COMO O BCE SE ESTÁ NAS TINTAS PARA O MUNDO – por OLIVIER BERRUYER – III

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