Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
(Um assalto de 1.100 mil milhões de euros) QE: como o BCE se está nas tintas para o mundo
Olivier Berruyer, [Hold-Up à 1 100 000 millions d’€] QE: comment la BCE se moque du monde !
Les-Crises.fr, 23 de Janeiro de 2015
(CONTINUAÇÃO)
…
2. Tem-se direito também a relançar o crescimento.
Como assinala o jornal Le Figaro: o BCE faz um gesto histórico para relançar o crescimento na Europa, o que é novo tendo em conta o fenomenal sucesso nos Estados Unidos:
Ah não, bolas – Caramba, ainda errado…
Se uns tipos numa cave em Frankfurt pudessem relançar o crescimento, isso saber-se-ia…
Cito por conseguinte o grande e sério economista J.K. Galbraith, antigo conselheiro económico de vários presidentes americanos:
“Considera-se que as medidas discricionárias praticadas pelo Federal Reserve são as mais apropriadas e as que são melhor aceites de entre as intervenções sobre a economia. Elas não são menos perfeitamente ineficazes, elas não têm o efeito que são supostas ter. A recessão e o desemprego – ou a forte expansão e a inflação – continuam a verificar-se. É uma das mentiras às quais nos agarramos sempre mais . […]
Desde 1913, data em que o Federal Reserve começou a existir em pleno, o balanço da sua luta contra a inflação e particularmente contra a recessão foi de uma insignificância total e contínua. […]
Durante a Segunda Guerra mundial, com a experiência do conflito precedente, temia-se muito a inflação. Finalmente, esta foi mantida sob controlo estreito e não deixou nenhuma recordação realmente desagradável. Os historiadores não vêem mesmo mais este problema. Um factor de peso pesou neste feliz resultado: tiraram-se as lições do passado e não se tem nenhuma confiança no Federal Reserve. Não era questão, neste período tão difícil, fundar a política económica sobre a esperança ou a mitologia. Conter a inflação era uma das minhas tarefas principais durante estes anos (eu era administrador-adjunto encarregado da política dos preços ao Serviço de controlo dos preços, por conseguinte imediatamente centrado na luta anti inflação), e estava bem convicto também de que o Federal Reserve não tinha a mais pequena importância. E era exacto.
Nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra mundial, as ameaças de inflação e de recessão foram menos graves. O Federal Reserve, após debates internos doutos e frequentemente muito duros, tomou medidas. Estas foram muito aplaudidas, dando lugar às previsões optimistas, e não tiveram nenhum efeito.”
Permitam-me por fim recordar que todas as medidas “não convencionais” nunca não foram testadas à este ponto na História. Não tenho conhecimento de casos na História onde um Banco central tenha tomado tantos riscos, e ainda menos onde este se reencontrasse com fundos próprios muito negativos no caso de haver problemas…
Em teoria, não é um drama tendo em conta que é um banco central, mas na prática, ver-se-á no que é que isso dará em termos de pânico e de desconfiança para com a moeda…
Em conclusão: quando os banqueiros centrais retornam a esta lógica de Ponzi (o BCE deve fazer QE para substituir o FED que para agora com ela e o BoJ que limita também a sua ajuda aos mercados), isso acaba mal, muito mal mesmo, em geral…
(continua)
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Para ler a Parte II deste trabalho de Olivier Berruyer, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:





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