Partilhar tília com as abelhas – Clara Castilho

 

  

Todos os anos, aí paa Maio, o meu nariz fareja o cheiro das árvores de certas ruas de Lisboa. As tílias estão em flor! É uma sensação inebriante, um cheiro sem comparação. Apetece ficar sentada debaixo de uma delas…

Lisboa, tem épocas assim, de as suas árvores nos encherem de tal modo que paramos no tempo e nos questionarmos porque temos tanta sorte. A época dos jacarandás é outra que tal.

 

Pois as tílias são da zona temperada do hemisfério norte, difundidas, tanto em estado silvestre como cultivada, por vezes de grande porte, com flores amareladas em forma de coração. O seu emprego em infusão das flores foi utilizado como sedativo desde o Renascimento, e é hoje um dos remédios vegetais mais utilizados. Mas é o sabor do seu chá que me fica na memória gustativa. E na afectiva, já que meu avô o tomava todas as noites antes de se deitar e para cobrir a sua chávena lhe fiz o meu primeiro paninho de ponto de cruz.

 

Apanhar as suas flores é um acto de desafio à nossa coragem – as árvores estão cobertas de abelhas!

 

Foi com muito receio que pela primeira vez me aventurei nesta colheita. Mas a verdade é que nada me aconteceu. Começava pelos cachos aonde chegava, metendo-os dentro do cesto, dando a volta à arvore, e as abelhas iam calmamente subindo, procurando outros cachos de flores. Eu nunca iria chegar lá a acima e elas tinham muito com que se entreter! Depois, é colocar as flores bem espalhadas, em locais onde possam secar sem se amachucarem. E distribuir pelos amigos – Helena, Carlos, espero que vos tenha sabido bem.

 

 

 

 

 

 

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