Direito à indignação? Não, obrigado – por Carlos Loures

 

O “direito à indignação” é uma concessão sem sentido. Quando, Mário Soares, à época presidente da República, perante as arbitrariedades e desmandos de um governo PSD, invocou o direito à indignação, não inventou nada. Esse sempre o tivemos e sempre o usámos. Nem Salazar conseguiu retirar-nos o direito de nos indignarmos.

 

Demonstrar essa indignação, isso era já outra coisa.

 

Perante o que está a acontecer, com o primeiro – ministro a anunciar com um ar ridiculamente pomposo medidas que só penalizam os que trabalham e os pensionistas, a indignação de nada serve. Agora do que precisamos é de nos revoltar, de manifestarmos por actos a indignação.

 

A Praça da Revolta elegerá como temática principal essa necessidade de demonstrarmos que estamos indignados, zangados. Esta gente rasteira do bloco central tem de ser desmascarada, confrontada com a nossa indignação, revolta. Não falo de violência gratuita – falo de demonstração inequívoca de que estamos fartos deles, de que são desprezíveis e de que a sua democracia não é a nossa Democracia.

 

Como se dizia numa canção de há anos atrás, Basta ya!

 

Textos diversos, de várias autorias, preencherão este espaço diário. Terminaremos sempre com uma canção de protesto; ou de revolta, se preferirmos.

 

Afinal, como sabemos, “A Cantiga é uma Arma” – o José Mário Branco anda a dizê-lo vai para quarenta anos…

 

 

 

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