Na minha adolescência passeei muito por Setúbal, durante as então longas férias de verão. Uma das suas avenidas maiores é a Av. Luísa Todi. Sabia que era uma senhora ligada à música mas nunca me deu para saber mais sobre ela. No seguimento destes últimos artigos, fui à procura de mais informação.
Luísa Rosa Aguiar nasceu em 1753 em Setúbal, filha de um professor de música, tendo-se a família mudado para Lisboa era ela bem pequena. Estreou-se como actriz aos 14 anos no teatro montado na propriedade do Conde de Soure, em Lisboa, recitando, com a irmã, as falas das personagens de Tartufo, de Molière. Dois anos mais tarde casou-se com Francesco Todi, violinista de origem italiana. Aos 17 anos estreou-se como cantora meia-soprano, na ópera “Il Viaggiatore Ridicolo”, de Guiseppe Scolari. Logo no ano seguinte actuou em Londres. As suas capacidades vocais e a sua expressividade eram muito elogiadas.
Actuou em todas as capitais europeias e conviveu de perto com a sua aristocracia, como Frederico II da Prússia e Catarina II, imperatriz da Rússia que a presenteou com jóias muito valiosas. Em agradecimento, o casal Todi escreveu para a imperatriz a opera «Pollinia». Já com 40 anos de idade voltou a Portugal para cantar nas festas da filha primogénita do príncipe regente, futuro D. João VI.
É de realçar que este espectáculo foi uma excepção em Portugal, dado que D. Maria tinha proibido as mulheres de actuarem em público. No entanto, a família real não esteve presente. Regressou ao estrangeiro, só voltando a Portugal em 1803, já viúva. Com as invasões francesas, em 1809, perdeu na fuga, grande parte dos seus bens. Teve 6 filhos. Morreu, no dia 1 de Outubro de 1833, com 80 anos de idade, cega devido a uma doença que tinha desde nova.
“La Didone Abbandonata” foi a ópera, entre todas as que cantou, na qual Luísa Todi alcançou maior êxito.
A sua música provavelmente está hoje um pouco longe do que mais gostamos mas aqui fica um exemplo.
Áreas de Luísa Todi


