JOGAR XADREZ – JOGAR “SNOOKER” – por Magalhães dos Santos

Interrogado acerca de quantas jogadas era capaz de antecipar, um célebre campeão de xadrez – soviético é claro! – respondeu que “mais uma do que o meu adversário”. Ao jogar uma qualquer peça, o xadrezista tem de imaginar (prever) o que o outro fará e preparar logo as diversas jogadas que a partir desse movimento ele próprio fará.

 

Também me disseram que um grande jogador de bilhar “snooker” (que se joga com vinte e duas bolas e um taco… um taco para cada jogador) era capaz de ao dar uma tacada prever a posição que lhe seria mais conveniente dali a… seis jogadas!

 

Quem se limita a dar uma marretada na primeira bola e já fica todo contente por meter uma delas no buraco que tinha na intenção não faz ideia do que seja planear qual será a posição das diversas bolas dali a mais cinco tacadas. Xadrez e “snooker” são coisas que as cavalgaduras não podem jogar. E não é só por as patas não lhes permitirem segurar nas peças ou nos tacos.

 

Falta-lhes – entre outras capacidades – o poder de preverem as consequências de cada movimento que façam.

 

Por exemplo, porque não sabem prever e nem sabem que não sabem, as cavalgaduras-cavalares põem cá fora leis que provocam a miséria e a desgraça do povo que dizem servir.

 

Que provocam o encerramento de empresas e o consequente aumento do número de desempregados.

 

Que dificultam o acesso ao trabalho a centenas, milhares de estudantes que acabam os seus cursos e não têm saída para aplicarem os conhecimentos adquiridos.

 

Que levam a um infalível encolhimento nas despesas e consequentemente a um encolhimento nas receitas de quem vive das despesas dos outros.x

 

(Um pequeno talvez significativo exemplo: uma família da média até pequena burguesia costuma ir uma/duas vezes por semana almoçar ou jantar a um restaurant e – barato ou caro ou assim-assim. Não me parece que essa prática seja chocante seja exibicionista, seja despesista, seja condenável, seja agressiva. As estúpidas leis já postas em prática e as que ameaçadoramente são anunciadas vão levar a um encolhimento desse hábito. Vão levar… já levaram: têm encerrado e vão encerrar centenas muitas centenas de estabelecimentos do ramo da restauração. Quantos milhares de desempregados cria essa tão”inteligente” legislação?)

 

 As cavalgaduras – por muito treino que tenham para obedecer à voz dos treinadores ou dos futuros donos – não raciocinam. Nem sabem o péssimo efeito que causa em quem tem de cumprir as suas leis cegas e desumanas o fazerem cortes nos rendimentos dos mais pobres e indefesos e de pouparem e até mimarem os mais poderosos, os mais abastados, os mais ricos. Estes são sempre protegidos e – de tão cavalares que também são – não se privam de ostentar obscenamente o seu poderio, a sua indecente riqueza. Mas as cavalgaduras (as autênticasas, zoologicamente classificadas como tal, as que não usam gravata nem têm fatos ou vestidos de marca) têm um olfato – faro talvez seja exclusivo dos cães com os quais de resto também são aparentadas, não pelas melhores qualidades dos canídeos – que lhes permite saberem prever e antecipar o que vai acontecer. Até terramotos pressentem! A cavalgaduras legislativas e governamentais não sabem ou são infantilmente inconscientes das consequências das suas leis.

 

Não imaginam que estão criar milhares de desempregados e de ociosos à força e de esfomeados e de gente que tem filhos para alimentar e não pode comprar o necessário para lhes dar que comer.

 

Não fazem ideia de que“graças” à estupidez das suas estúpidas medidas de contração há um exército à espera de armamento e de quem os comande.

 

E – assim se declare uma revolta (ou uma Revolução) – é garantido que não faltarão (desde que se trate de vender – nunca faltam) “almas piedosas” que forneçam as armas. E para disparar uma arma só é preciso um dedo que prima o gatilho não é preciso muito treino. E quem comande essa tropa – por muito fandanga que seja – também aparece. Até podem surgir vários – uns à moda do 5 de outubro outros mais virados para o 28 de maio.

 

É muito simplesmente uma guerra civil.

 

Provocada por cavalgaduras que não sabem jogar xadrez nem “snooker”.

 

E também não sabem conduzir a carruagem de cujas rédeas se apoderaram.

 

 De que se apoderaram segundo as leis regimentais. “Nada” a apontar-lhes do ponto de vista legalista.

 

Quem fez as leis e quem ganha com a sua posterior aplicação?

 

 As cavalgaduras e os seus potros. Estas de agora e outras que já estiveram no poleiro – ou mais apropriadamente na cavalariça.

 

As mesmas que não avaliam as consequências das leis que põem cá fora.

 

 

Leave a Reply