UM CAFÉ NA INTERNET – Contra-Senso, por Marta de Mesquita da Câmara

 (1895 – 1980)

Um Café na Internet

 

 

 

 

Oh! meu amor, escuta, estou aqui,

pois o teu coração bem me conhece,

eu sou aquela voz que, em tanta prece
endoideceu, chorou, gemeu por ti!

Sou eu, sou eu que ainda não morri.
Nem a morte me quer, ao que parece,
e vinha renovar se ainda pudesse
as horas dolorosas que vivi.

Oh! que insensato e louco é quem se ilude!
Quis fugir, esquecer-te, mas não pude…
Vê lá do que teus olhos são capazes!

Deitando a vista pelo mundo além
desisto de encontrar na vida um bem
que valha o mal que tu me fazes!

Marta de Mesquita da Câmara foi professora, poetisa, jornalista, autora e tradutora de literatura infantil. O seu primeiro livre Triste, saiu em 1924. Seguiram-se Arco-Íris (1925), Pó do Teu Caminho (1926), Conte uma história (contos infantis, 1940), Poesias completas (1960), Recreio (contos, 1960), e outros. Colaborou com vários jornais, com destaque para O Primeiro de Janeiro, usando o pseudónimo de Tia Madalena. De família açoriana, de nível cultural elevado, era prima do poeta Roberto de Mesquita (1875 – 1924).  Nasceu e viveu no Porto. A sua obra foi elogiada por Jaime Cortesão, José Régio e outros. João Gaspar Simões chegou a compará-la a Florbela Espanca.

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