OS HOMENS DO REI -52 – por José Brandão

Francisco Barreto de Meneses (1605-1666)

Nascido na primeira década – 1605 – do século XVII, em pleno domínio filipino, foi desde a primeira hora, em 1640, um dos mais leais servidores de D. João IV. Ignora-se qual a sua categoria militar a essa data. Certamente de patente elevada e reconhecido mérito, porque em 1647 o rei o promovia a mestre-de-campo general das tropas de linha do Brasil. Largou, pois, de Lisboa, em Maio de 1647, o general Barreto de Meneses com alguma tropa de linha, numa pequena frota. Atacada, já em águas do Brasil, por uma forte esquadra inimiga de cruzeiro, foi aprisionado o general português, após violento combate, e enviado prisioneiro às autoridades holandesas do Recife.

 

Meses depois, este evade-se da prisão, conseguindo por fim, à custa dos maiores riscos, chegar ao Arraial, acampamento dos insurrectos, cerca de Olinda; e, em nome do rei de Portugal, assumia o comando dos 3 200 homens, lá concentrados. Entretanto, havia também chegado ao Recife outra poderosa esquadra da Haia, com cerca de 6 000 homens de reforço. A 18 de Abril de 1648, operava Schkoppe o seu ataque frontal ao dispositivo táctico dos 3 200 portugueses que, em cinco horas de luta, desbarataram os 8 000 homens de Schkoppe, causando-lhes cerca de 1 500 baixas, com a tomada de 18 bandeiras, ao passo que as perdas portuguesas não ultrapassavam 480 homens, enquanto Schkoppe, seriamente ferido, retirava sobre Recife, a preparar uma desforra. Não tardou de facto o holandês a retomar a ofensiva, em começo de 1649.

 

Mas ainda não restabelecido do ferimento em combate, confiou a missão ao seu imediato, coronel Brinck, ordenando-lhe a perseguição das tropas de Barreto. Brinck, inferior em talentos tácticos, desconhecia o terreno, por não ter participado na primeira batalha; de modo que o desenvolvimento da acção desde logo se pronunciou favorável aos portugueses por ter sido atingido, no ardor da refrega, o próprio coronel Brick por uma bala portuguesa. A sua morte, em plena batalha, precipitou a derrota holandesa, com o abandono das fortes posições e a retirada das suas forças em desordem para Recife. Estava ganha a segunda batalha dos Guararapes, cujas consequências políticas e militares foram decisivas para a restauração portuguesa do Brasil.

 

Seguiu-se-lhe estrategicamente o longo bloqueio que Barreto de Meneses depois foi pôr ao Recife, por terra e por mar, com apoio na esquadra de Brito Freire, enviada, entretanto, de Lisboa, sem que aos sitiados pudessem chegar reforços da Holanda, envolvida por seu turno em implacável guerra naval com a Inglaterra, cobiçosa de lhe arrebatar o domínio dos mares. Ao fim de quatro anos de bloqueio passivo, por economia de forças e a certeza duma rendição inevitável, Meneses ordenava um assalto geral às trincheiras em terra e bombardeamentos do mar; e a 24 de Janeiro de 1654, Van Schkoppe assinava vencido a capitulação imposta pelo comando português para a rendição da cidade e evacuação imediata de todos os estabelecimentos holandeses no Brasil.

 

Por seus próprios meios, quase desajudado da Metrópole, também a braços com a sua guerra de Espanha, conseguira o Brasil restaurar-se, mercê da vontade enérgica dos colonos e da lealdade dos nativos, sob o comando superior de Barreto de Meneses. D. João IV premiou-lhe os sete anos de vitoriosa acção. Regressou Barreto de Meneses ao Reino, em 1663, governando já, em nome de Afonso VI, o omnipotente Castelo Melhor. Alheio às perturbações da política interna dessa época, julga-se ter morrido em Lisboa, depois de 1666.

 

A seguir:  Marquês de Marialva

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