UM CAFÉ NA INTERNET – Cândida no Serviço Nacional de Saúde – Novas Viagens na Minha Terra– Segunda série Cap. 2 – por Manuela Degerine

Um café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

Apressei-me na direcção de S. José. Quase assustada. Expliquei que a médica do Centro de Saúde me enviava, o que era verdade e, o que era mentira, pedia que me fizessem a análise da doença de Lyme. O médico afirmou que esta doença só dá febres altas; tendo entretanto lido actas de congressos, enviadas pelos médicos franceses, eu sabia ser isto falso. Garantiu que a doença de Lyme não causa distúrbios digestivos; o que também é falso (em França 10% dos infectados queixam-se de distúrbios digestivos). Ficou muito tempo a teclar no computador e, por fim, disse-me que fosse fazer a análise.

 

Três horas mais tarde, o mesmo médico afirmou que a análise confirmava a impressão dele.

 

 – O resultado é negativo?

 

– É.

 

Começo a olhar para o papel e, mesmo virado ao contrário, não via qualquer alusão a Lyme ou Burgdorferi. O médico acabou por explicar:

 

– Não pude fazer-lhe a análise de Lyme. Não a encontro aqui… Tentei mas não consegui. Acho que no hospital, só se ficar internada, a pode fazer… Volte à sua médica, para ela é fácil, basta escrever… E prescreveu-me “Numesulida Wynn, 100 mg, Comprimido, Blister, 20 unidades. Um cp de 12/12 horas”.

 

 Os amigos franceses, cada vez mais alarmados, aconselharam que pusesse a receita no lixo. Fizesse a análise o mais depressa possível, encontrasse um médico que prescrevesse o antibiótico adequado – caso contrário: apanhasse o avião.

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