A NEUROBIOLOGIA E A GENÉTICA DOS MAUS TRATOS: RISCOS E RESILIÊNCIAS por Clara Castilho

 

 

 

 

 

 

 

 

 Realizou-se nos dias 25 e 26 de Outubro, o Fórum Gulbenkian de Saúde subordinado ao tema “Os labirintos da Adolescência”., com oradores de vários países estrangeiros, mas também portugueses que se debruçaram sobre este assunto. Realçamos a presença dos  “nossos”: TRUNFOS PARA A SAÚDE E BEM-ESTAR NAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES, Margarida Gaspar de Matos, Fac. Motricidade Humana; SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA: UMA PERSPECTIVA ANTROPOLÓGICA Júlio Machado Vaz, Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica. 

O Auditório 2 esteve sempre cheio, assim como as salas adjacentes, com transmissão directa. O Fórum, à semelhança de outros anteriores teve transmissão directa online . Em tempos de crise, poder participar em reuniões científicas de entrada livre é uma oportunidade única.

Por não ter podido estar presente em todas as conferências, e por esta conferência me interessar particularmente – A NEUROBIOLOGIA E A GENÉTICA DOS MAUS TRATOS: RISCOS E RESILIÊNCIAS , Eamon McCrory, University College London, UK –  partilho convosco alguns “apontamentos”. O sentido não é novo, já outros autores sobre isto se debruçaram. O orador trouxe exemplos de estudos a decorrer há vários anos.       

A existência de uma adversidade prematura tem impacto no cérebro, amplificando os riscos já existentes? Pode conduzir as crianças a ainda maiores riscos na adolescência, tais como depressão, ansiedade, perturbação de conduta, adições, sexo sem protecção, condução rodoviária perigosa?

Se existem muitas dúvidas em relação à forma como se processa, existe também a certeza de que maus tratos físicos estão associados a alterações na actividade cerebral. Já eram conhecidas imagens de ressonância magnética de crianças sofrendo de maus tratos comparadas como uma população que os não sofria.

 

Mas, estes novos estudos estão a tentar ver as consequências na amígdala (centro regulador da agressividade). O que se verifica é semelhante ao encontrado em adultos expostos a situações de guerra. Os estudos também abrangeram o campo caloso e o lobo frontal (zona relacionada com a regulação social e dos comportamentos). Os estudos do pesquisador apontam para que se verifiquem mesmo alterações a nível dos genes, o que pode originar muitos comportamentos verificados na adolescência destas crianças.

E será isto um destino? Pensa que não, dado que a adolescência é um período de reorganização e de crescimento neuronal, de crescimento dos lóbulos frontais, um período de plasticidade. Para além disso, quando também se verificam mudanças familiares, em que as crianças podem voltar a ter prestadores de cuidados afectuosos, pode constatar-se que muitos destes efeitos podem ser anulados.

Cá por mim, acrescento a frase de Peter Fonagui: “História não é destino. O apego é recuperável”. Lembrando que com intervenções o mais precoce possíveis podemos iinverter o curso previsível da história de um indivíduo, quando, ao vir ao mundo, não encontra as condições necessárias para o seu desenvolvimento psíquico equilibrado.

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