Martinho de Melo e Castro (1716-1795)
Martinho de Melo e Castro filho de Francisco de Melo e Castro, da casa dos condes das Galveias, era neto do 4.º conde, André de Melo e Castro, que, celibatário impenitente, viria a perfilhar um seu filho natural, Francisco, para nele instituir, por especial afeição que desde criança lhe ganhara, a sua descendência directa, com a herança de todos os bens patrimoniais, excluído o título, por pecha da bastardia, impeditiva da sanção régia.
Foi, pois, em segunda geração, esse afortunado descendente que a ternura paterna, pressentindo-lhe os dotes de espírito, fez educar a primor para condignamente assumir as responsabilidades sociais da nobre família. Desde logo, aliás, em seus primeiros estudos se lhe confirmavam a precoce inteligência perspicaz e firmeza de carácter.
O moço tinha-se distinguido na Universidade de Évora como brilhante e interessado aluno da filosofia aristotélica professada naquele baluarte da Escolástica e por toda a parte substituída pela filosofia de Descartes ou pela mais revolucionária de Newton. Depois de Évora, foi para Coimbra frequentar Direito Canónico, o que facilitou à família obter-lhe um canonicato na Sé Patriarcal, apesar da sua juventude.
Admitido à frequência da corte, facilmente ganhou a estima e confiança do príncipe real, D. José, quase da mesma idade, e que, ao subir ao trono, já na maturidade dos trinta e seis anos, o distinguiu com uma primeira enviatura diplomática à França, de pleno acordo com Sebastião de Carvalho, depois marquês de Pombal, também desde logo escolhido para seu primeiro-ministro.
À confiança do rei e seu primeiro-ministro correspondeu Melo e Castro com inteligente e eficientíssima dedicação, prestando notáveis serviços como diplomata prestigioso e como ministro na pasta da Marinha e Conquistas. Em tudo quanto nos governos de Angola e Moçambique foi realizado, colaborou a iniciativa, o impulso ou o apoio de Melo e Castro.
Foram pouco amistosas as relações entre Sebastião de Carvalho e Melo e Martinho de Melo e Castro, ambos de alta craveira mental, o último, porém, sem as durezas do primeiro. Morto D. José, foi Melo e Castro que se apressou a dar a Pombal a notícia da sua demissão.
Conservado no Ministério por D. Maria I, foram os assuntos de Marinha que mais cuidados lhe mereceram, na reorganização do quadro dos oficiais, cujos estudos foram reformados, no aumento do número dos navios da esquadra, no melhoramento do Arsenal, na ampliação da Cordoaria, etc. Deixou uma Memória sobre o Projecto da Companhia da Índia, Memória sobre o Melhoramento dos Domínios de Sua Majestade no Brasil.
Sob a esclarecida orientação do ministro Martinho de Melo e Castro (1770-1795), a administração da Marinha é profundamente reorganizada e modernizada. É criada a Academia Real dos Guardas-Marinhas, antecessora da actual Escola Naval. Martinho de Melo e Castro, para animar os estudiosos, estabelecera como recompensa para os premiados um posto de acesso com direito ao posto de capitão-de-mar-e-guerra.
No aspecto quantitativo, a Marinha de Guerra Portuguesa, ao longo de todo o século XVIII, apresenta uma dimensão adequada para a defesa da nossa navegação contra os ataques dos corsários mas não para que possa ser utilizada como um trunfo no jogo da política internacional.
Martinho de Melo e Castro, durante duas décadas e meia, tinha realizado, com assinalável êxito, uma profunda reestruturação e modernização da Marinha. Em resultado de tudo isso, os navios de guerra são de excelente qualidade.
Martinho de Melo e Castro morreu em 1795.
A seguir: Pascoal José de Melo

