(1750 – 1839)
Um café na Internet
Dizendo-me uma pessoa que eu nunca havia de ser feliz, pela Marquesa de Alorna
Esperanças de um vão contentamento,
Por meu mal tantos anos conservadas,
É tempo de perder-vos, já que ousadas
Abusastes de um longo sofrimento.
Fugi; cá ficará meu pensamento
Meditando nas horas malogradas,
E das tristes, presentes e passadas,
Farei para as futuras argumento.
Já não me iludirá um doce engano,
Que trocarei ligeiras fantasias
Em pesadas razões do desengano.
E tu, sacra Virtude, que anuncias,
A quem te logra, o gosto soberano,
Vem dominar o resto dos meus dias.
Fui buscar este soneto a Marquesa de Alorna – Poesias, com selecção, prefácio e notas do Professor Hernâni Cidade, Clássicos Sá da Costa, 1941, Lisboa. Hernâni Cidade diz-nos ser dos mais perfeitos de Alcipe (nome literário de Leonor de Almeida de Portugal Lorena e Lencastre, futura Marquesa de Alorna), dos que melhor revelam a lição camoniana.


