(Continuação)
Curiosamente, face aos resultados alcançados, a França aparece agora numa posição que consideramos intermédia. Enquanto Sarkozy dá o espectáculo de se mostrar como um dos donos da Europa, fiel, como um bom basset alemão, exactamente à senhora Merkel para se manter protegido em relação aos três A de rating, a França começa a ser atacada por rumores, que se transformam em tremores e depois em tumores. Com efeito, relembremos a história de uma crónica política publicada pelo jornal Le Monde (em 3 de Agosto de 2011) sobre factos a acontecerem em Maio de 2012. Há um engano, um jornalista inglês leu mal o jornal, por ter interpretado mal ou por saber mal francês. Há depois o engano de uma jornalista de uma agência, há depois o engano de um analista que faz um gráfico a representar o contrário do que deveria representar. E com isso vieram imediatamente os planos de austeridade. Isso foi em Agosto. Depois, proibiram-se as vendas a descoberto, temporariamente. Depois autorizaram-se novamente e os ataques recomeçaram. O Dexia caiu. Nada disto chegava. Mais tarde, a Standard and Poor’s também ela se enganou e comunicou a clientes privilegiados (como?) que tinha baixado a notação da França. Foi engano, é certo, mas com o engano vieram mais planos de austeridade. Sublinhe-se que um por cento de spread adicional custa à França 20 mil milhares de milhões de euros aproximadamente. E estes dois planos de austeridade cifram-se em 19 mil milhões de euros. Irreal, diremos. Um pequeno gráfico ilustra-nos tudo isso quanto à evolução dos spreads em França com este último engano:
Daí, portanto, o podermos afirmar que a França poderá estar eventualmente, também ela, a deslizar para situação do grupo de países da periferia, como aliás o mostra as sucessivas e recentes ameaças das agências de rating em baixar a notação devido à crise no euro.
O trabalho dos autores franceses confirma o que muita gente tem vindo a mostrar desde há muito tempo, que a salvaguarda dos países em situação de fragilidade exigiria a proibição dos CDS nus sobre a respectiva dívida soberana de cada um deles, exigiria que a União Europeia protegesse esses países, em vez de os abandonar, em vez de os deixar sujeitos à ganância dos operadores destes mercados. E são os países, são as taxas de juro a eles impostas, são as suas políticas nacionais, é o próprio euro e é também a própria Europa, é assim tudo isto que assim fica indefeso face à brutalidade dos mercados em perfeita roda livre. E os resultados estão à vista. Há portanto culpados e não podemos branquear esta situação como o pretendeu fazer Robert Rubin face a Angelides. E são culpados, por negligência, por ignorância ou mesmo por maldade. Se há culpados no plano político é neste plano que devem todos eles ser fortemente penalizados, banidos até.
(Continua)

