Em Outubro os frios ventos da crise sopraram
De Wall Street as más notícias se lamentou
Em Novembro a City de Londres alcançaram
E a Main Street de todo o mundo se roubou
Em Janeiro as noticías à França chegaram
Em Fevereiro muitas fabricas se fechou
Muitas gotas de dor sobre Paris tombaram
E o sonho de um outro 68 por agora acabou
Como um furacão a Irlanda apanharam
Com governos e bancos o povo se roubou
E com a Troika as esperanças voaram
Em Março foi o tigre celta que se calou
Em Maio o nosso Portugal dominaram
Em Junho se chorou na terra de Camões
Em Julho os grandes projectos daqui abalaram
Em Agosto já nem poetas nem tostões
Em Setembro a Espanha alcançaram
Em Outubro as fabricas aí se encerrou
E nesses tempos os Indignados gritaram
E no país de Cervantes a política tudo calou
Em Novembro na Itália também acamparam
Sobre os emigrantes africanos se disparou
Os estudantes pelas ruas se manifestaram
Mas no país de Dante a política tudo silenciou
Montados nos arrogantes corseis do poder
Pelo medo, as culturas nacionais silenciaram
Pela força, na indústria estiveram a desfazer
E os fumos de muitas chaminés deslocalizaram
Das nossas fábricas os empregos já levaram
Dos nossos filhos o futuro já estragaram
Das nossas vidas a alegria já arrancaram
Mas do presente a resistência não anularam
E da Islândia como gigante veio a esperança
Do cimo dessa Europa que parecia esquecida
Um Presidente, soube dizer não à cobrança
Pela força do povo a Democracia foi enriquecida
Nas rajadas do vento os banksters fugirão
As suas contas de multimilhões iremos redistribuír
Nas vagas do mar os banksters se enfiarão
Depois, um admirável mundo novo iremos sentir.
Da Grécia e da sua luta nos iremos todos orgulhar
As Troikas , pela força da razão irá conseguir vencer
Com a sua história um outro presente irá então criar
E com ela a Democracia iremos voltar a reaprender

Ah, em verso está bem! Também reivindico um poema para publicar no Jardim. Lá dá-se música a toda a gente, até aos economistas.:)