A partir de amanhã, algumas novidades na nossa programação

Têmo-lo anunciado – a partir de segunda-feira, dia 2 de Janeiro de 2012, há algumas novidades na nossa programação diária – mantendo a abertura às 7 horas com os temas de Ao Romper da Bela Aurora, teremos às 8, servida em Um Café na InternetA Grande Poesia, dando sequência a séries temáticas de poesia  – A palavra do poeta, com as excelentes fotografias de José Magalhães; A Avenida da Poesia, poemas ilustrados com belas reproduções de Adão Cruz; a série de poetisas de língua portuguesa – teremos agora poemas dos grandes génios da arte poética – William Shakespeare, Charles Baudelaire, Feranando Pessoa, Pablo Neruda, Goethe, Carlos Drummond de Andrade… Com versões portuguesas e (sempre que possível) com a versão original. As ilustrações serão do pintor russo Vladimir Kush, considerado o sucessor de Dalí.

 

Às 10, continuará a Península/Penintsula, dirigida pelo Pedro Godinho, abordando as questões do colonialismo castelhano e não só; às 11, manteremos o Diário de Bordo, o nosso editorial, onde falamos do mundo e de nós. Às 13/13.30 é a vez da economia, com trabalhos selecionados pelo Júlio Marques Mota e com o Daily Briefing Long Version, a cargo de Domenico Mario Nuti, que nos mantêm a par das principais ocorrências na Europa e no Mundo. Às 14 chega a Antropologia pela mão de Raúl Iturra e às 15 a segunda edição de Um Café na Internet, com crónicas, contos e o mais que a imaginação do João Machado conceba.

 

Às 16 horas, mais uma novidade – o historiador José Brandão, para que a memória não morra, traz-nos uma série de Livros Proibidos nos últimos anos da Ditadura. Salazar e Caetano temiam os livros, ou melhor, “alguns” livros – por que motivo seria? E às 17 horas a Clara Castilho prosseguirá com o seu Para o desenho da vida, que tantas e tão boas surpresas nos oferece.

 

Às 18 – momento de beleza – O Jardim das Delícias– poemas, contos, privilegiando a produção dos argonautas, e belas ilustrações de Adão Cruz, a Augusta Clara viola o que manda uma tabuleta na entrada de um jardim (em Tharbes) «Não tragam flores para o jardim” – no seu jardim podem entrar flores e ainda bem. Neste horário, às segundas-feiras o Estuário do Adão Cruz substitui o Jardim. Um rio pelo qual nos chegam poesia e arte. Revolta, às vezes.

 

A 20 sáo hora de olharmos para dentro da nossa Argos, o espaço dedicado às nossas iniciativas. O I Concurso de Blogocontos está a chegar ao fim, anunciando nós dentro de dias os títulos das obras vencedoras e os nomes dos respectivos autores. Logo depois, lançaremos um amplo debate sobre um tema que alguns dizem ser indiscutível – a Democracia.

 

As 21 horas vão ser dedicadas a um tema importante, seja ele de arte, literatura, economia, história…Às 22 chegam os temas económicos pela mão sabedora de Júlio Marques Mota. Temas que ganham nova expressão no oceano encapelado que atravessamos…

 

E às 23, Terna é a Noite, Augusta Clara  escolhe uma canção que acompanhe os sonhos dos que vão dormir mais cedo ou dê forças para os que se deitam tarde fiquem acordados. Nós, por exemplo, continuamos acordados e à meia-noite teremos mais um texto que consideremos importante. Aos Domingos, o Rui de Oliveira oferece-nos o seu Pentacórdio, uma magnífica agenda cultural para nos guiar durante a semana. À uma da manhã, fechamos com um Até já. Tentaremos, antes da despedida, deixar-vos uma pequena surpresa – De sábado para domingo, nesta rubrica, a bem dizer a primeira de cada dia, incluiremos O Pato algemado.

 

E às sete, temos Ao Romper da Bela Aurora

 

 

 

 

 

4 Comments

  1. Que ilustrem poemas (por certo, de diversíssimas naturezas, conteúdos e facturas), com ilustrações (de facto, são só isso – ilustrações, sempre semelhantes, nunca consegui decobrir era de quê…) do Vladimir Kush, ainda vá… Agora que o considerem “o sucessor do Dali” é que é um bocado abusivo: o Dali sabia desenhar e pintar; o Vladimir não sabe nem uma coisa nem outra – sabe ser oportunista, isso sim…Mas, é claro, já se sabe que eu sou um tanto difícil de contentar, tenho “mau feitio” ou qualquer coisa afim e maléfica… pois também não gosto do Jeff Koons (ou melhor, daquilo em que a ambição de ganhar muito dinheiro o transformou e às suas obras, inicialmente interessantes), nem das parvoíces vacuns ou povoadas de moscas do Damien Hirsch, nem de numerosos outros “artistas”, actuais, de igual quilate… Todas estas criaturas têm uma coisa em comum: as suas obras são todas muitíssimo “concepuais” e “metafóricas”, “denunciadoras dos males sociais” que é preciso combater ou donde urge evadirmo-nos, através do sonho, de uma “realidade outra”… Porque as pinturas e esculturas nunca foram nada disso, antes destes génios aparecerem: estavam ali só pra serem vistas, como cada espectador mais não fosse que boi a olhar pra palácio; e uns tipos que, através dos séculos, têm andado a estudá-las (e que, se calhar, tal como eu, não se extasiavam bacocamente com estes “artistas” modernaços), nunca passaram de maluquinhos à solta… que os seus contemporâneos só não internavam porque eram inofensivos.Desenhinhos como os que se adivinham sob as pinturas do Vladimir, fazia-os eu ainda adolescente – vejam lá o que perdi, por não os publicitar e baptizá-los com nomes esquisitos e integrá-los numa qualquer “metaforice” e atribuir-lhes falsas linhagens de reconhecidos mestres!… Sucessores do Dali (ou melhor, do surrealismo) há uns tantos por cá, muito melhores, mais velhotes e muito menos conhecidos cá no beco, quanto mais “universalmente” (pela NET), porque, de facto, criam por necessidade, põem-se a si mesmos questões de pintura, de desenho, de escultura – e da sua progressão – e tentam resolvê-los à sua maneira. Não imitam, como o Vladimir (e eu, quando era jovenzinho, mas consciente e honesto, pelo que reservava os resultados dessas habilidades para a apreciação de um muito restrito círculo de amigos).Enfim, em última análise, e dada a minha exigência decerto “excessiva”, façam e digam o que quiserem, que daí só pode resultar algum entorse ao espírito crítico e uma confortável integração no amolfadado “mainstream”. E a “tróika”, com seus acólitos, é muito mais nefasta…Mas. se conseguirem, não façam, nem divulguem “comparações” destas.

  2. Lemos a comparação com Dalí, não a inventámos. Se quisermos ser rigorosos, podemos dizer que uma parte da obra de Dalí não é digna da outra parte, a melhor. Pode dizer-se tudo o que se quiser. Porém, dizer que Kush não sabe desenhar é um exagero e se, tu Paulo, tinhas desenhos teus melhores, deves ter feito mal em os deitar fora. É, como dizes, uma exigência excessiva que só registo e contesto porque, sendo legítima, é desmotivante- O Vladimir Kush pode não ser um sucessor de Dalí, pelo menos do melhor – desenhar mal, não me parece que seja justo dizê-lo.

  3. O facto de se desenhar bem ou conhecer muito bem “técnicas” de desenho e pintura não é sinónimo fatal de se ser “artista”. Há coisas que não gosto muito de dizer, porque podem ser consideradas pretensiosismo (embora, pessoalmente, me esteja nas tintas para que o que pensem de mim, perturba-me o erro de informação que tal representa, quando – e só quando – as pessoas em causa me interessam).Mas tenho de o dizer, embora talvez não o conseguisse provar, actualmente, porque o desenho, como qualquer outro “talento” ou “habilidade” treina-se; e eu não “treino” há mais de 20 anos, quando outras ocupações (e a própria “institucionalização” – fatal, mas que me desagradou – da cooperativa como “escola de artes”) me levaram a deixar de frequentar as sessões de desenho de modelo no AR.CO (tinha sempre lugar, como sócio fundador da cooperativa e porque era uma espécie de “referência”): eu desenho (ou desenhava…) “muito bem”. Sabem-no os que então me acompanhavam, como o Manuel Costa Cabral, que só abandonou a direcção pedagógica do AR.CO para dirigir o Serviço de Belas-Artes da Gulbenkian, e um razoável número de professores e colegas que, uns anos depois, se tornariam artistas conceituados. Uma vez, numa exposição de desenhos renascentistas nos Uffizzi, a minha mulher chamou-me a tenção para a semelhança do meu estilo de desenho rápido – como o que fazíamos nessas sessões – com estudos do Pontormo. E as coincidências, eram, de facto, quase “insólitas”…Acontece também que, quando estudei cor com o Eduardo Nery (como sabes, um dos grandes mestres da cor em Portugal), fui, com alguma facilidade, o melhor dos seus alunos nesse ano (sem grande mérito: tenho uma acuidade visual rara, puramente genética, que me permite distinguir tonalidades e contrastes, de todos os tipos que existem e de que a grande maioria das pessoas não se apercebe, nem anda lá perto…) Por isso e porque seria capaz de te apontar dezenas de autores de BD que desenham (e, nalguns casos, pintam) bem melhor que o tal Vladimir, porque sei como se faz e os truques que se usam (faltam-me alguns, actuais, dos programas informáticos), repito que o senhor não sabe desenhar como eu exijo a quem se pretende “artista” e muito menos pintar (embora conheça, naturalmente os vários contrastes e como funcionam em relação ao espectador não muito informado). Actualmente, até se podem fazer habilidades assim “bonitinhas” com os “softwares” adequados: aliás, o famoso Vasarely, a partir de certa altura, fazia os seus quadros, com aqueles equilíbrios de gradações que enchem o olho, já com o auxílio de meios informáticos (se fosses comprar umas tintas à Robialac, eles também “fabricavam” a cor e tonalidade que escolhesses, com meios semelhantes). Um dos grandes méritos do Eduardo Nery é o de fazer obras equivalentes (nos equilíbrios e gradações, não na concepção), recorrendo apenas aos seus próprios olhos (aliás, como se pode verificar até em estações de metro e ferroviárias, ele também desenha muito bem). Acresce ainda que segui o Nery em visitas guiadas a vários museus, sendo que ele, além de ser capaz de “dilucidar” as cores utilizadas num determinado quadro e dar a ver outros pormenores que facilmente nos escapariam ou de todo desconhecíamos, não tinha medo de explicar porque é que uma pintura não tinha grande qualidade, embora fosse assinada pelo Rubens (p.e., uma das suas telas da Gulbenkian, mal concebida e executada displicentemente – provavelmente porque quem a encomendou não merecia mais)…Ainda guardo alguns desenhos meus de juventude que talvez te possa mostrar um dia, só para verificares como é fácil antecipar o “realismo metafórico” do Kush. Bem como os desenhos que fiz durante a recruta em Mafra e que serviram para “documentar”, perante oficiais e juntas médicas, como eu era uma espécie de maníaco-depressivo, marcialmente nocivo (curei-me com o 25 de Abril).Pessoalmente, no neo-figurativismo, em geral (que é onde estamos, também com Kush), prefiro, p.e., o auto-didacta Jack Vettriano (que sabe desenhar e pintar, reutiliza os saberes de séculos de pintura e “prossegue”, criativamente, o Hopper), cuja obra tem um excelente acolhimento do público, perante o escândalo pedântico-intelectualês de críticos e curadores muito “Tates”.Enfim, a minha opinião é mesmo essa…

  4. Uma história engraçada.Houve um tempo em que os senhores professores da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa eram conhecidos pelo seu feroz rigor na valoração da “importantíssima” prova do “desenho de estátua”, no exame de admissão a qualquer dos cursos que por lá se davam. De tal modo, que havia muito boa gente (mesmo boa!) que ia fazer o exame ao Porto e, depois, pedia transferência para Lisboa.Pois o Manuel Costa Cabral, só para gozar com o sistema, deu-se ao trabalho de preparar um irmão, que seguia outro curso e jurava a pés juntos ser uma negação para o desenho, de tal modo que o rapaz, com dois meses de treino nos tais truques, passou a “difícilima prova” com distinção! Isto mostra a “importância” do tal “desenho de estátua” para um estudante se “transformar” em aquitecto ou “artista plástico” (muitos houve, nessa altura, que abandonaram a Escola, porque lá não aprendiam nada, com tais camafeus)…Agora, pergunto: o irmão do meu amigo Manel passou a saber desenhar? A resposta é, obviamente: não!

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