LIVROS PROIBIDOS NOS ÚLTIMOS TEMPOS DA DITADURA – 4

Temos de tudo um pouco nos dez livros de hoje – obras como a antologia de textos de Marx e de Engels que, embora chamando-lhe “filosófica”, é óbvio que não passaria pelo crivo policial. Pela mesma razão, o Anti-During, de Engels ou o Anti-Kautsky,de Trotsky, estavam condenados à partida. Uma censura inteligente talvez aprovasse livros a cuja compreensão apenas alguns intelectuais têm acesso. A proibição era feita com base em listas que os agentes traziam.

 Além dos livros constantes das listas, apreendiam o que lhes parecesse suspeito. Sabemos de um caso em que um inocente roteiro turístico russo foi apreendido, enquanto deixavam ficar obras de Gramsci, na edição da Civilização Brasileira.

 

Mais uma vez, a par da repressão política, a repressão cultural – O magnífico livro de Herberto Hélder, Apresentação do Rosto”:

Um ramo de lepra contra o corpo,/como isto então só o movimento de águas obscuras/pelos canais de um canto,/como um palácio de salas negras /abertas/para sempre.”ou a Antologia da poesia erótica e satírica portuguesa, que Natália Correia, ajudada por Luiz Pacheco, organizou e que tanto deu que falar. Uma peça de Bernardo Santareno e um romance de Aquilino, foram outros dois títulos censurados – obras de dois autores considerados de grande qualidade literária – um dramaturgo ainda jovem, mas de nome firmado e um escritor como Aquilino Ribeiro, um patriarca das letras portuguesas. Para a estúpida máquina repressiva, a inteligência não contava.

 

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