Isaac Díaz Pardo – o adeus

Sempre Galiza!

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Isaac Díaz Pardo: o adeus a um histórico do galeguismo

 

 

Isaac Díaz Pardo: 22 de agosto de 1920 – 5 de janeiro de 2012.

 

 

 

“Na Galiza não somos donos nem do ar.”

“O galego está a morrer, se não se abre à nação irmã, que pode sustentá-lo, que pode continuar, pois não vai ficar em nada.”

 

 

 

Aos 91 anos de idade, morreu ontem o bom e generoso Isaac Díaz Pardo.

 

Antifascista e antifranquista, republicano, intelectual e artista galego.

 

O pai, pintor ligado às Irmandades da Fala, foi fuzilado pelos fascistas em 1936.

 

Escritor, pintor, ceramista, Isaac Díaz Pardo era um dos últimos representantes das geração do galeguismo histórico, anterior ao golpe franquista de 1936. Na sua juventude foi militante comunista.

 

Quanto à língua foi reintegracionista e defendeu a unidade linguística galego-portuguesa-brasileira e uma orientação da língua da Galiza para o mundo lusófono.

 

 

Em Setembro Edicións do Castro publicou Tentando construir uma esfinge de pedra e, para além de outras consideraçons chama a atençom a normativa escolhida para a escrita do livro. Quais som os motivos para essa aposta no reintegracionismo lingüístico? 

Eu vou para os 88 anos, e sempre fum um pouco reintegracionista. E bom, estas cousas, afinal… pois és reintegracionista. Creio que é o meu dever moral fazê-lo assim. Acho que para a Galiza, Portugal ficou com a nossa língua, e devíamos, cria-o também Castelao, voltar outra vez a nos integrarmos. 

Nom a isso que se di lusista, a falar em português… nom. Porque os portugueses também teriam que reintegrar muito, teriam que reintegrar muito porque tenhem muita influência do castelhano, do francês, de muitas cousas. Mas nós, sobretodo, temos que familiarizar-nos com o Norte de Portugal. E isso é mais importante do ponto de vista económico que já do da lingüística. 

Mas ademais, se o galego está a morrer, se nom se abre à naçom irmá que pode sustentá-lo, que pode continuar, pois nom vai ficar em nada. Ficará como umha língua clássica, como o latim, que se estudará nas universidades, umha língua litúrgica, e mais nada. Nós estamos a ver que a gente cada vez fala menos galego. E as empresas geralmente nom som galegas, entom a gente procura um trabalho numha empresa e, se falarem castelhano, fala castelhano. 

Esta é a cousa. Entom eu cuido que haveria que fechar a porta a Castela; refiro-me às instituiçons da língua como a Academia Galega… Eu levo-me mui bem com os da [Real] Academia Galega, porque umha cousa nom tem a ver com a outra: umha cousa é o que pense eu como ideal e outra cousa é o que me vejo obrigado a fazer para conviver. E creio que a [ Real]Academia Galega fai moi bem em todas as cousas, menos na da língua galega.

 

(entrevista a Novas da Galiza, 2008)

 

 

 Histórias de vida  – Isaac Díaz Pardo

 


 

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