GERMAINE TAILLEFERRE
(1892-1983)
«Une musique qui sent bon» – Darius Milhaud
Considerou-se durante muito tempo que a obra de Germaine Tailleferre se reduzia a uma série de
encantadoras peças para Piano compostas nos anos 20 e 30 do séc. passado e que a sua carreira de compositora acabara nos anos 40.
Ora, Tailleferre compôs sobretudo obras de música de câmara, canções, dois concertos para Piano, o seu admirável Concerto Grosso para 2 pianos, 8 vozes solistas, quarteto de saxofones e orquestra, um concerto para Violino, quatro bailados, quatro óperas, duas operetas, entre outras obras para pequenos conjuntos ou para grande orquestra. Na verdade, a suas obras mais importantes foram compostas, maioritariamente, entre 1945 e 1983, o ano da sua morte, tendo muitas permanecido inéditas até há poucos anos.
Só muito recentemente, portanto, foi possível avaliar a amplitude dessa obra e dar-lhe o lugar que merece.
Germaine Tailleferre nasceu em Saint-Maur-des-Fossés, nos arredores de Paris, a 19 de Abril de 1892. Iniciou os estudos de piano com a mãe e começou a compor pequenas peças, desde muito jovem. Entrou no Conservatório de Paris, e o seu primeiro prémio de solfejo pôs termo à oposição do pai à continuação dos estudos musicais. Foi obtendo outros prémios, nos anos seguintes, como os de Contraponto e Harmonia, em 1913, ou o de Fuga, em 1915.
No Conservatório convive, desde 1912, com Milhaud, Auric e Honegger. Começa a frequentar o meio artístico parisiense de Montmartre e Montparnasse, onde vai encontrando Apollinaire, Marie Laurencin, Paul Fort, Léger, Picasso, Modigliani e, mais tarde, os outros elementos do “Groupe des Six”; Poulenc e Louis Durey.
Em 1925, na sequência do casamento com o caricaturista americano Ralph Barton, instala-se em Manhattan, onde se relaciona com os amigos do marido, em particular com Charlie Chaplin. Mas o marido aceita com dificuldade o seu êxito e, após o regresso a França, em 1927, acabam por se separar, dois anos depois. É nessa época que compõe as “Six Chansons Françaises”, sobre textos dos séculos XV a XVIII que falam da condição feminina.
– Em Novembro de 1931 nasce a sua única filha, Françoise, com cujo pai, o jurista Jean Lageat, casará no ano seguinte (e junto de quem também encontrará oposição à sua actividade artística, o que não a impede de manter um elevado ritmo de composição). Neste período, colabora com Paul Claudel – que lhe solicita que musique a sua ode “Sous les Remparts d’Athènes” – e Paul Valéry, na “Cantate du Narcisse”.
Le groupe des six ( Jean Cocteau au piano) :
De gauche à droite : Darius Milhaud, Georges Auric, Arthur Honegger,
Germaine Tailleferre, Francis Poulenc, Louis Durey.
A ocupação alemã leva-a a instalar-se nos E. Unidos (Filadélfia), com a irmã, tendo, como tantos refugiados, passado por Portugal, de onde embarca para os Estados Unidos.
Regressa a França em 1946, continuando a compor activamente, datando desta época a sua famosa “Sonata para Harpa”, entre outros obras, nomeadamente para o palco: óperas, comédias musicais, bailados. Em 1955 divorcia-se novamente. Empreende uma breve incursão pelo dodecafonismo, num período que culmina com a ópera “Le Maître”, adaptada de uma peça de Ionesco.
Nos anos 60 compõe numerosas músicas para filmes.
Em 1970 torna-se professora na Schola Cantorum, mas tem de renunciar por falta de alunos.
Dificuldades financeiras levam-na, aos 84 anos, a aceitar um lugar de acompanhante para os alunos da École Alsacienne, o que lhe permitiu concluir uma última série de obras de relevo. Compõe, praticamente, até aos últimos dias da sua longa vida.
Morreu em 7 de Novembro de 1983, com 89 anos, sendo sepultada em Quincy-Voisins, onde, por ocasião do 20.º aniversário da sua morte, foram organizadas comoventes comemorações, com os professores e alunos da Escola de Música local.
O convite, hoje, remete para a audição de três peças desta compositora:
“Pastorale”, por Massimo Marin (violino) e Cristina Ariagno (piano):
http://www.youtube.com/watch?v=xKzOmYURGVQ
A citada “Sonata para Harpa”, numa interpretação de Claudia Antonelli:
http://www.youtube.com/watch?v=Pf9PmVLo5Xk
E “Arabesque”, por Robert Yaple (clarinete) e Josh Oxford (piano)
http://www.youtube.com/watch?v=_1tnzcXPWbI





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