
Vamos viver, minha Lésbia, e amar,
e aos rumores dos velhos mais severos,
voz nem azo lhes vamos dar.
Sóis podem morrer ou renascer,
mas quando findar a nossa luz fugaz,
apenas uma perpétua noite dormiremos.
Dá mil beijos e outros cem depois,
Dá muitos mil, depois outros sem fim,
Dá ainda mais mil e mais cem, enfim –
e quando milhares de beijos tivermos dado,
vamos perder a conta, confundir,
para que infeliz algum inveja possa ter
se de tantos e tão longos beijos souber.
Gaius Valerius Catullus
Vivamus, mea Lesbia
Vivamus, mea Lesbia, atque amemus,
Rumoresque senum severiorum
Omnes unius aestimemus assis.
Soles occidere et redire possunt;
Nobis cum semel occidit brevis lux,
Nox est perpetua una dormienda.
Da mi basia mille, deinde centum,
Dein mille altera, dein secunda centum,
Deinde usque altera mille, deinde centum.
Dein, cum milia multa fecerimus,
Conturbabimus illa, ne sciamus
Aut ne quis malus invidere possit,
Cum tantum sciat esse bassiorum.
Catulo (Verona, 87 ou 84 a.C-57 ou 54 a.C.) – poeta polémico do final do período republicano de Roma. Pertenceu a uma corrente poética que rompeu com o passado literário amarrado à imagética mitológica, enveredando por temas ligados ao quotidiano e aos impulsos humanos. Uma linguagem coloquial, com repetição de palavras e movimento circular da elocução. Cícero designava-os pejorativamente por novos. Escolhemos uma das evocações mais conhecidas – a Ode 5, dedicada a Lésbia.
