UM CAFÉ NA INTERNET – Novas Viagens na Minha Terra – Série II – Capítulo 40 – Terra de Babel: a batalha da LV2. Por Manuela Degerine.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

          O Português como segunda língua viva (LV2) tem o inconveniente concorrer com o Espanhol, atraindo ainda por consequência uma maioria de lusodescendentes, o que não raro gera um ambiente de conchego – de remanso – comunitário e uma complexa relação com os professores, que pode transformar-se em manipulação (substituí uma colega cujos alunos clamavam: a professora Q. é a nossa mãe!)… Os adolescentes juntam-se várias horas por semana com primos e vizinhos, falando francês, claro, pois a terceira e quarta gerações pouco contacto mantêm com o português, num espaço quente e apertado em que circulam imagens familiares, os pastéis de nata, são tão bons, o castelo de Guimarães, “moramos” a cinco quilómetros, o Algarve, vamos lá em Agosto, sabendo-se grandes especialistas da cultura portuguesa por usarem cachecóis do FCP, não falharem um desafio e sem demasiado esforço, já que passam um mês por ano em Portugal, quase alcançarem o nível da meia dúzia de franceses: Su ô Kevin. Os professores de português fazem prodígios para transmutar este choco comunitário em aulas de língua estrangeira – que são um salto para o desconhecido. E muitas vezes conseguem.

 

 

        Se não houver outra onda migratória, daqui por alguns anos, após a última geração de lusodescendentes, o Português deixará de ser estudado como segunda língua viva. O Espanhol travará então com o Chinês a batalha da LV2.

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