(Continuação)
Um outro exemplo dessa incerteza bem alimentada pela incapacidade de os responsáveis responderem à crise no quadro das boas práticas neoliberais emanadas das Instituições Europeias e dos seus dirigentes é o que se passou com os ataques especulativos sobre muitas Instituições financeiras neste verão passado. Veja-se como é que evoluíram as suas capitalizações no espaço de tempo de dois meses [1]
LES CAPITALISATIONS ONT FONDU
Durante este Verão particularmente tempestuoso para o sector bancário, as capitalizações dos principais estabelecimentos europeus derreteram.
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Les capitalisations des principales banques européennes (en milliards d’euros) |
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au 31 août 2011 |
au 30 juin 2011 |
Variation |
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HSBC |
108,6 |
123,9 |
-12,4 % |
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Santander |
53,4 |
67,2 |
-20,5 % |
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BNP Paribas |
42,4 |
63,9 |
-33,7 % |
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RBS |
32,4 |
48,2 |
-32,8 % |
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Lloyds Banking Group |
31 |
38,3 |
-19 % |
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BBVA |
30,3 |
36,8 |
-17,7 % |
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Deutsche Bank |
25,7 |
37 |
-30,6 % |
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Barclays |
24,8 |
35,5 |
-30,1 % |
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Intesa Sanpaolo |
18,5 |
30,2 |
-38,7 % |
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Société Générale |
18,1 |
30, 3 |
-40,3 % |
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Unicredit |
18 |
28,2 |
-36 % |
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Credit Agricole SA |
16,3 |
25,9 |
-37,1 % |
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Commerzbank |
10,4 |
15,3 |
-32 % |
E fiquemos parados um momento para pensar sobre todas estas variações, porque afinal sem chuva não precisamos de chapéu na cabeça, a não ser que esteja muito frio e não está nem de chuva nem está frio, excepto nas nossas bolsas que malandros legalizados andam por aí a assaltar…
E a tónica de tudo isto, dizem-nos até à exaustão, foi a Grécia, a lenha que vem alimentando a fogueira da crise continua a ser a Grécia, a que já se juntaram outros infelizes, Espanha, Portugal, Irlanda, Itália e a França está já à porta para deste clube poder participar. Arranjando-se bodes expiatórios é o modelo que está livre de críticas, são os nossos dirigentes europeus que como fieis defensores do templo neoliberal se podem continuar a assumir enquanto a economia de todos eles está já a bom cair, mas que interessa, salva-se o modelo, porque, parafraseando Hegel, quando a teoria e a realidade não estão em concordância tanto pior para a realidade, porque a teoria essa está certa. A deles. Assim fazem os nossos dirigentes e não sabemos se a opacidade dos mercados mantida não é assim um objectivo bem determinado, um objectivo intermediário como se diz em política económica, para alcançar objectivos mais amplos, como refazer o capitalismo com um retorno sobre os direitos dos trabalhadores ao nível do século XIX e ao mesmo tempo refazerem rapidamente as grandes fortunas dos efeitos da crise. Veja-se por exemplo declarações de Passos Coelho em Luanda, quando questionando sobre a não existência de cortes salariais no sector privado nos terá dito mais ou menos isto: não é necessário. As fábricas estão a fechar, o desemprego a aumentar e portanto os salários vão por essa via baixar. Muito claro mesmo, o representante de um capitalismo bárbaro mais digno de se chamar feudalismo do que outra coisa e que dá, face ao seu cargo, pelo título de nosso Primeiro-ministro. Aberto o caminho pela ditadura dos mercados, eis depois os novos ditadores que por esse cavalo o país andam a caavalgar.
Como assinala Chavagneux, olhe-se para os dados do Lehman Brothers antes e no final da crise em termos de CDS. Pelo meio e entre valores brutalmente diferentes, ambos possivelmente reais, acrescente-se, esteve o pânico instalado e o seu efeito devastador pelo mundo espalhado, pânico que se colou depois às nossas peles, aos nossos destinos, à nossa imagem de futuro, e nos deixa francamente aterrados pelas políticas inconsequentes que de tudo isto derivaram. Da crise europeia, da Grécia alguns dos culpados, da crise europeia, de Portugal muitos dos acusados, da Itália e da França, dessa crise muitos já estão indiciados, mas sobre quem tudo isto constrói e tudo isto justifica em nome dos mercados, nem uma crítica, porque os mercados, esses, devem estar bem saciados. E a obscuridade, a opacidade, são assim um bom instrumento para esta política suicidária poder ser executada. Nada me parece inconsistente, nada me parece incoerente com a moral que às actuais Instituições europeias parece ser inerente. Criminoso socialmente, é o mínimo que com tudo isto é coerente.
Será que se pode pensar que estes engenheiros da nossa má sina, do nosso triste destino agora imposto, andavam por aí desde há alguns anos atrás a conceber os modelos de CDS sobre títulos soberanos com ” probabilidade de défaut – teria então de ser assim, com o risco de liquidez a ter sido estudado; teria então de ser assim, com o risco sobre taxa de juros a ter sido analisado; teria então de ser assim, com a taxa de recuperação a ter sido estatisticamente calculada; teria então de ser assim, com o risco político que um acontecimento de crédito ao ser criado em torno de nenhuma razão evidente foi tecnicamente bem modelizado, embora Basileia II nos ajude por termos posições sobre os CDS; teria então de ser assim, com tudo isto bem estudado; teria então de ser assim em modelos de simulação bem reconfirmada? Acha que foi assim?
Impossível, não há outra resposta.
