Um dos problemas mais graves com que nos debatemos hoje em dia é o do ordenamento do território. O aumento da população e o seu envelhecimento, a distância crescente entre os locais de residência e dos locais de trabalho, as grandes superfícies comerciais (vantajosas em alguns aspectos, prejudiciais noutros), a localização das indústrias, a generalização do uso do automóvel e outros factores tornam imperativas medidas claras, com carácter prioritário. Claro que existem serviços públicos encarregados de aplicar essas medidas. Chocam-se com muita incompreensão e com muitos interesses. O seu trabalho tem de ser cada vez mais compreendido e respeitado.
É importante aprender com as lições dos acontecimentos passados. O estudo dos acontecimentos que vieram na sequência de grandes sinistros, a compreensão das implicações locais e mais gerais das características da natureza, a análise das condições de vida nas cidades e não só, não são uma perda de tempo. São essenciais. E a aceitação e o conhecimento geral das regras do ordenamento, aos vários níveis, imprescindível.
Alguns dos problemas mais complicados derivam das condições históricas. Muitas vezes, sem dúvida, inconscientemente, no passado foram cometidos erros que, hoje em dia são de difícil rectificação, para não dizer impossível. Um exemplo será o das povoações construídas junto de linhas de água. Há casos de cidades inteiras construídas em situações de risco. Por exemplo, Nova Orleães foi construída abaixo da linha de água, o que ajuda a compreender os efeitos catastróficos do tufão Katrina. Em Portugal, também há casos semelhantes. As cheias de 1967, que provocaram centenas de mortos, tiveram efeitos muito agravados, devido à presença de habitações junto de linhas de água, por vezes abaixo delas.
Lê-se na Visão da semana passada, no artigo Tudo Diferente, Tudo Igual, que na Ilha da Madeira, estão a ser reparados os estragos do temporal de 2010, repondo na íntegra as condições vigentes anteriormente. E são referidos pareceres muito credíveis lamentando que não se tenham corrigido as situações de risco existentes. É de frisar que o mesmo se passa em outras zonas do país.

