DIÁRIO DE BORDO, 1 de Abril de 2012

 

Hoje, dia 1 de Abril, dia das mentiras, será interessante que nos debrucemos um pouco sobre as mentiras que se dizem. Não sobre as petas que todos os anos, alguns contam, obviamente com intenções humorísticas, e que, por vezes, até têm bastante graça. Outras, nem por isso. Mas nós, aqui na nossa Argos, temo-nos interessado sobretudo pelas mentiras que se dizem todos os dias. Não ficará mal que hoje falemos de mais uma.


Já alguém disse (perdoem a falha de memória, que Diário de Bordo não se lembra de momento) que quanto mais verdade contiver uma mentira, melhor ela passa. Será o caso. Por outro lado, uma das melhores maneiras de enganar o próximo, é tratar um certo e determinado assunto como se fosse o prioritário, em detrimento de outros que, esses sim, merecem toda a atenção.  Prioriza-se uma questão, que poderia muito bem ser tratada noutra altura, e assim tratam-se como menores, ou não se tratam mesmo, assuntos mais urgentes.


Vejam-se as discussões que agora andam à volta das responsabilidades de José Sócrates na crise actual. É óbvio, e do conhecimento do comum das pessoas que José Sócrates tem grandes responsabilidades nos problemas do país. Mas não equivale a omitir esse facto incontroverso afirmar que essa questão, neste momento, não é prioritária. Os apuramentos das responsabilidades de José Sócrates nos problemas nacionais caberão ou, aos tribunais quanto a alguns aspectos, ou sem dúvida que caberão sobretudo aos eleitores, caso ele resolva regressar á cena política. Há que reconhecer que ele é capaz de querer enveredar por aí, lá isso é.


Entretanto magnas questões poderão vir a ser torpedeadas à sombra de polémicas deste tipo. Veja-se só o caso BPN. Agora foi criada no parlamento uma comissão de inquérito. Já há muita gente a reconhecer a enorme gravidade de que se reveste. Agora, vai ser mais difícil evitar o apuramento de responsabilidades (presume Diário de Bordo, sempre optimista). Claro, vamos ter espectáculo, com direito a passa-culpas, a declarações de ingenuidade e de inocência, e a todos os ingredientes habituais. Alguns, mais cínicos talvez, talvez digam: vamo-nos fartar de rir. Diário de Bordo teme que apareçam mais razões para chorar.


Mas o que não vai falhar é a atribuição de culpas. José Sócrates vai ser um dos favoritos ao prémio de que tem a culpa maior. Sem dúvida que as tem grandes. Mas será quem tem mais? Vamos ver como corre o espectáculo. O grande problema é: as verdadeiras responsabilidades conseguirão ser apuradas? E os responsáveis responderão por elas?

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